Renato Russo Rocks

Gosto daquela coisa do garoto branco fazendo barulho com a guitarra. (1989)

 

 

Eu sou psicótico, igualzinho ao Axl Rose [do Guns N 'Roses]. Se alguém apronta alguma coisa, eu saio quebrando. Eu quebro, eu sou do tipo “eu vou descer e vou dar porrada mesmo”. E já fui muito criticado por causa disso. Então, se é para ter problema, eu prefiro não sair. Porque, depois, eu vou tacar pedestal, vou gritar com todo mundo, ficar puto no hotel. Ninguém sabe desse tipo de coisa. Mas eu sou do tipo que quebra quarto de hotel. A gente não faz publicidade em cima disso, porque não precisa, e a gente não faz isso por publicidade. (1993)

 Já houve um tempo em que eu achava necessário ter uma postura agressiva. Era como eu, como a gente, queria se expressar, ora bolas! Hoje, não acho mais. Porque a violência está na vida das pessoas. O público demonstrava afetividade tacando coisas no palco, sendo agressivo. Nós tínhamos uma postura agressiva, falávamos certas coisas, mas, ao mesmo tempo, era uma coisa meio intimista e tímida. Talvez isso desse abertura para o público agir daquela maneira. (1994)

Eu tinha uma postura agressiva porque não subo no palco para levar lata de cerveja na cabeça, tipo James Taylor. (1994)

 

Vivi em Brasília dos 13 aos 23 anos, e ali, depois de algum tempo, meu mundo da infância, que era muito seguro, começou a mudar. Se entrar aqui o Júnior [uma auto-referência], com 8 anos de idade, é a mesma pessoa. Talvez eu estranhe se entrar o Júnior com 16, 18 anos de idade. Mas os valores são os mesmos. Eu era muito confuso. Foi uma fase que durou muito tempo, até o comecinho da Legião Urbana. Eu me perdi. Eu tinha uma vida de sonho. Aos 17 anos, acabou, sabe? Fui

para o mundo. Surgiram aquelas confusões sexuais da adolescência e dúvidas. (1995)

Na adolescência, você quer ser aceito. Foi uma época muito complicada para mim. Eu sabia que era sedutor e, como todo mundo, também aprendi os códigos sociais para não me machucar. (1995)

 

Nunca bebi pelo gosto, mas para ficar louco. Bebia Cointreau em copo de requeijão… Mas isso foi o passado. Parei com tudo. Era um movimento muito egoísta da minha parte, enquanto todos se preocupavam comigo. (1986)

Bebo porque tem garoto de 15 anos sendo morto pela polícia e menininhas sendo estupradas. (1993)

Não posso dizer que nunca mais vou beber. Mas posso dizer que não vou beber hoje. (1994)

Evite a primeira dose. Eu sempre fui alcoólatra. Tudo começou com o álcool. Só que álcool é uma droga aceita; então, não se considera droga. Álcool é das piores coisas que existem. Eu tenho amigos alcoólatras e vejo o processo dessas pessoas. Só que eu não falo nada. Se a pessoa quiser ajuda, ela tem o meu exemplo. Eu falo do que está se passando comigo. (1994)

Cancelamos os shows no Nordeste [em 1991, na turnê do V] porque eu estava bebendo de cair, com tendências suicidas… No meu aniversário [27 de março], pensando no meu filho, em mim, vi que não podia continuar assim. (1994)

Não sou louco, sou alcoólatra. É diferente. Não vou ter vergonha de ter cabelo preto, de ser canhoto. Sou uma pessoa pública, não acho que deva mentir para as pessoas. (1995)

O alcoólatra não é sem-vergonha. Existe uma enzima que o corpo do alcoólatra processa num ritmo duas a três vezes mais lento do que o de uma pessoa normal. Então, ele acha que não é alcoólatra, porque todo mundo bebe e fica bêbado; e ele, não. Com o tempo, o organismo começa a precisar daquilo. E começam a aparecer problemas de relacionamento. Virei aquele chato com quem as pessoas não podiam falar, porque não sabiam qual seria a minha reação. (1995)

Aquela história: bebia, porque sofria; depois, sofria, porque bebia. E bebia muito para ser aceito, para que gostassem de mim. Sentia insegurança, tomava umas doses, ficava espirituoso, virava o rei das pistas de dança. (1995)

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