Depoimentos de Cazuza em 1989

“Em 1988 mudei minha maneira de encarar o trabalho. Antigamente, trabalho para mim era diversão. Eu queria me mostrar. Cantava para arranjar broto e para provar para o meu pai que eu era bom. Eu queria era comer todo mundo. E consegui”.

“Agora vejo o trabalho de outra maneira. Comecei a me preocupar em cantar melhor. Como letrista, passei a falar de coisas mais abrangentes. Parei de falar um pouco do meu quintal e passei a falar da minha geração. Acho que é a idade também”.

“Sou muito protegido. Isso até me prejudica. Sou meio despreparado. Sou o neto preferido de duas avós e filho único, mimado de pai e mãe. Mas meus valores são todos de classe média baixa. Eu era filho de um produtor de discos e de uma costureira. Estudava no Santo Inácio que só tinha gente rica. Eu tinha vergonha porque minha mãe costurava para as mães de meus colegas. Na época eu chorava, hoje tenho o maior orgulho dela. Papai só começou a ficar rico quando eu tinha 15 anos”.

“Nunca estive tão ruim em minha vida. Um dia o suicídio passou pela minha cabeça. Rapidamente. Queria tomar alguma coisa para desmaiar. Não sentia prazer em estar vivo. Nunca entendi o suicida. Achava uma covardia. Aí eu entendi”.

“Fui criado por padres errados… Fiquei com trauma. Se vejo um padre saio correndo. Mas os valores do cristianismo eu acho legal. Sou contra a idéia do pecado. Cristo propôs a dúvida. Isso é maravilhoso. Ele duvidou até o fim. Acho isso fantástico porque a dúvida é criativa”.
“Não gosto que me perguntem se estou com aids. Me faz lembrar uma coisa que eu quero esquecer. Contei para muito pouca gente o que eu passei no hospital. Mas todo mundo sabe o que eu tenho”.

“Perdi dez quilos, perdi meus músculos e não os recuperei. Tinha um pouquinho de barriga. Tinha um Bundão. Meus amigos me chamavam de ‘Maria Gorda’.”

“Para mim, o amor é o contrário da morte. Por isso não tenho medo de morrer. Eu estou amando. Estou amando um homem. Isso para mim é coragem. E é contra a caretice”.
Praia de Pajuçara, Maceió, janeiro/1989

“Tenho fé em mim mesmo, a minha experiência com Deus é por aí, sou muito pragmático, cético. Sou otimista. Se não fosse, num certo momento eu teria dançado. Mas, em relação à minha vida, o que está acontecendo é uma busca muito grande de felicidade que eu estou encontrando”.

“Meus heróis morreram de overdose”.
Revista Goodyear, Fernando Gabeira, janeiro/1989

“Eu era muito feliz pelo lado de fora, mas comigo mesmo não. Achava que não merecia ser feliz”.
1989, republicado em O Globo, 08/julho/1990

“Estou ótimo, segundo todos os exames. Mas posso morrer amanhã”.
Fevereiro/1989,vários jornais, republicado em Folha de São Paulo, 08/julho/1990

“O meu amor agora está perigoso. Mas não faz mal, eu morro mas eu morro amando”.

“Quero festa, banda e corpo de bombeiros no aeroporto, quando eu voltar para o Rio. Estou com a saúde ótima. Na verdade é como se eu acabasse de descobrir que sou portador do vírus, como se ele não tivesse começado a agir”.

“Há algum tempo eu deixei de esconder a aids. Acho que graças à Marília Gabriela, que me deu um toque. Depois que ela me falou que não fazia sentido o fato de eu negar o vírus com minha posição liberal como artista. Aí eu pensei, vi que ela tinha razão e achei melhor parar de esconder”.

“Às vezes acho que foi mais culpa das drogas e de bebidas (alcóolicas), do que dos remédios. Só sei que comecei a ter alucinações, via coisas que não aconteciam na realidade, uma depressão brava. Então meu médico no Brasil me recomendou que eu fosse mais uma vez à Boston para fazer um novo check-up. Foi bom que eu descobri que estou ótimo. Aqui nos E.U. cheguei a engordar quase dois quilos”.

“Posso levar uma vida normal. Estou fumando como sempre. Posso até beber vinho e cerveja. Só não posso mais é com uísque e nem com cocaína. Prometi para mim que não iria voltar para esses velhos vícios. Agora eu estou lutando para ficar vivo”.
Folha de São Paulo, José Carlos Camargo, 13/fevereiro/1989

“Meus deuses são muitos e eu acredito em todos eles”.

“Frei José me disse que sou uma pessoa cheia de luz e energia, por isso sou tão inquieto. E mais: que tenho uma missão a cumprir aqui na Terra, e que estou fazendo isso muito bem, por isso não vou morrer tão cedo. Ainda vou viver muitos anos”.

“Ficam dizendo que Roberto Carlos é careta, mas eu não acho. Ele tem que ter muita responsabilidade com o que diz e eu estou também sentindo isso neste momento. Atualmente estou me tornando um ativista político. Tudo o que eu vejo de errado escrevo cartas para jornais, denunciando mesmo. E acho que todo mundo deveria ser assim”.

“Eu andei um tempo afastado do Roberto (Carlos), mas agora voltei a achar o trabalho dele demais. Eu estou sempre cantarolando ‘se diverte e já não pensa mais em mim’. A nova música dele. O Roberto Carlos é uma pessoa importantíssima para mim, porque faz parte da minha infância. Eu cresci amando a Jovem Guarda. Tinha tudo com a marca Calhambeque, roupa, merendeira e sapato. E um dos momentos mais emocionantes da minha vida foi quando aos 10 anos meu pai me levou no estúdio da Som Livre, onde o Roberto Carlos estava gravando”.
Manchete, Ana Gaio, 04/fevereiro/1989

“Nem penso que tenha sido explorado. Pode ser que tenha havido essa intenção, a gente nunca sabe. Mas eu não considerei nenhum desses últimos lançamentos de trabalhos como os últimos. Eu não penso em morte. Acredito em outras vidas e coisas assim. Nem fiz testamento. A única coisa que combinei com o meu advogado é que quero ser cremado quando morrer, e que minhas cinzas sejam espalhadas no Arpoador”.

“Claro, faço muitos planos. Esse é o segredo para ficar vivo. Toda a minha família é muito forte. Eu tenho certeza de que vou viver pelo menos até uns setenta anos”.
Folha de São Paulo, 13/fevereiro/1989

“Eu nem queria dar entrevista, mas é melhor dar logo. Estou aqui porque não posso beber. Desde a época em que estive em Maceió (fev/1989), é bebida de manhã à noite. Acordo com um copo de uísque, durmo com outro. Depois que fui para Boston, onde de três em três meses eu faço um check-up, tentei análise, mas não adiantou. Assim, com tudo isto, tive uma desidratação e uma fraqueza geral de tanto beber e não comer. Nada tenho a esconder. Minha vida é um livro aberto”.

“Já estou começando a me sentir ótimo, me recuperando. Meus amigos têm vindo aqui e telefonado muito. A enfermeira trouxe o bilhete das crianças e eu adorei. Adoro crianças. Deveriam ter deixado elas virem aqui. Eu as recebo, abraço, beijo”.

“Essa música minha com o Lobão eu adoro; Azul e Amarelo são cores do meu santo, ogum edé, que é um santo criança, o mesmo santo do Gilberto Gil. Com azul e amarelo estou protegido. E temos a parceria do Cartola nesta música, – ele diz rindo – porque usamos uma frase sua: ‘Não quero, não vou, não quero’.”

“A fita azul que estou usando no tornozelo, é a cor do meu santo também. Coloquei quando fui a Salvador. Meus três pedidos são: saúde, amor e paz. Sei que só são atendidos depois que ela arrebenta. Ela está aí. Nunca arrebenta”.
O Globo, Deborah Dumar, Diana Aragão e Izabel Cristina Mauad, 17/03/1989

“No geral eu gosto de dar entrevistas. Gosto de falar, sou falastrão. O que eu tenho tentado melhorar é que eu falo demais e às vezes esvazio o que estou pensando. É uma coisa que eu herdei da minha mãe. Sou muito, ansioso, desde pequeno, quando eu era uma criança elétrica, não parava no lugar, morava num apartamento muito pequeno, não tinha para onde ir…”

“Eu acho que a entrevista é uma maneira de você chegar ao grande público, porque eu sempre adorei ler entrevistas dos artistas que eu gosto, inclusive várias delas mudaram completamente minha cabeça”.

“Aquele show no Palace foi uma coisa muito louca, porque eu acho que ele foi histórico para São Paulo… Teve as eleições de 15 de novembro e no primeiro de dezembro eu estava lá. E tinha aquele clima de euforia, as pessoas querendo acreditar novamente que tudo vai mudar, que pode mudar… Tanto que eu considero ‘Ideologia’ , ‘Brasil’, e ‘O tempo não pára’ uma trilogia de Sarney ao PT no poder. É uma trilogia de esperança… Eu nunca tive medo de falar quando eu estava de baixo astral. Acho que a gente não pode ficar ‘tudo bem’ o tempo todo: o mundo é ruim, as pessoas são ruins, o mal sempre vence, então tem esse lado forte. Mas agora estou numas da corrente do bem. Tô nessa e acho genial. Tudo bem: o mal tá lá, as pessoas ruins estão lá, pessoas mesquinhas, mas não vão me atrapalhar mais. Não vou mais sofrer por causa delas”.

“Eu não acho que vai haver apocalipse porra nenhuma. Não acredito em nada disso. Eu ainda vou fazer uma excursão da Challenger para Disneylândia, dar uma volta pela Inglaterra, entendeu! Nem preciso chegar na lua – A lua eu deixo para os meus netos. Eu sou muito otimista. Acho que o mundo mudou para melhor. Hoje em dia as mulheres têm a liberdade delas, existe uma outra interpretação da mulher, outra interpretação dos negros – nos Estados Unidos, pelo menos, teve, e isso é um exemplo para o resto do mundo… O mundo está caminhando para uma coisa melhor. As minorias, os gays… hoje já se fala de homossexualismo de uma maneira totalmente aberta. Conseguimos uma vida melhor. Hoje a nova geração já trepa com 15 anos. Na nossa época isso era a maior repressão. Nós trouxemos isso, essa liberdade, para eles. Está tudo mais fácil. Tá certo que pagamos um preço caro por isso. Mas está aí. Se tem poluição, por outro lado temos ecologistas. Eu acredito que vai haver um movimento tão grande, um encontro imediato, vamos encontrar outros seres, numa grande confraternização”.

“Eu perdi um pouco dessa coisa de humildade. Aprendi uma coisa que a análise me ajudou – a aceitar a minha grandeza, a aceitar o fato de ser bom. Porque te dá um medo filho da puta: ser feliz, medo de amar, medo de ser bom. Tudo que faz bem pra gente, a gente tem medo. E eu tô tranquilo, porque ocupei meu lugar e ninguém tasca mais. Foi o que sempre quis, era meu sonho”.

“Acho que entrei para o primeiro time, não tô mais na reserva. Tô no time principal, que é o sonho de todo jogador – chegar à primeira divisão”.

“É que eu descobri que é uma caretice você achar que poesia e letra são coisas separadas. Você pode ser um poeta musical – são gêneros de poesia: tem a poesia musical, tem a poesia que vive sem a música. Acho que minhas letras sobrevivem às músicas. Algumas, pelo menos”.

“Tem muita coisa que eu não gravei, muita coisa inédita. Mas no dia em que eu morrer algumas pessoas vão na minha gaveta e pegam. Mas eu acho que vou deixar até um testamento para rasgarem, queimarem tudo, porque eu acho uma sacanagem quando um cara morre e deixa uma obra – não tô falando que eu tenho uma obra, porque eu ainda não tenho. Daqui a dez anos eu vou ter uma obra…”

“Minha mãe me batia mesmo e não era de mão não. O primeiro objeto que ela via pela frente atirava em mim. Depois ia chorando no quarto pedir desculpas…”

“Politicamente sou mais J. Lennon que Chico Buarque”.
Bizz, Sônia Maia, março/1989

“A razão principal da minha saída do Barão é que ocupava muito espaço dentro da banda”.

“Os músicos são todos iguais. Tudo doido, uma raça à parte”.

“Talvez eu seja mais burguês do que as minhas músicas”.

“O governado militar modernizou o país, puseram o Brasil no século 20, embora à custa do sacrifício do povo. O Tancredo está com o país – aparelhado nas mãos e agora pode pensar mais no povo brasileiro”.

“Sou socialista e acho que o único caminho para um país do terceiro mundo chegar ao primeiro mundo é através do socialismo”.

“Eu nunca estudei canto. Minha voz é pequena, mastigo muito as palavras. A opção pelo blues vem disto. Tenho certeza de que se houvesse nascido em outra época, quando havia cantores, eu seria apenas um compositor. Faria as músicas e mandaria para os cantores gravarem”.

“Adoro correr riscos”.

“Gosto muito de berrar, tenho a voz rouca e o rock não é mais que um blues rápido”.

“Sou um latino apaixonado, nada racional, as idéias pintam e me aprisionam. Depois que vou trabalhá-las eu sofro, choro, viro noite”.

“O que mais gosto é de tomar banho de sol, de mar, de acordar tarde e da noite, que curto intensamente”.

“O que mais odeio é gente complicada e preconceituosa, hipocrisia e ser acordado. Nenhuma outra coisa consegue ser pior do que isso”.

“Ainda não sou ingênuo, mas chego lá porque nunca quis pouco”.

“Não estou correndo atrás da morte, mas da vida”.

“Não aconselharia nem um cachorro a me seguir na rua”.

“Eu paguei a conta do analista para nunca mais ter que saber quem sou eu”.

“Não posso deixar de me considerar um privilegiado, porque adoro o que faço. São poucos os que podem ganhar dinheiro com o que gostam de fazer. Eu, há 8 anos, sobrevivo da minha paixão, a música”.

“Sempre fui muito aberto, mas não estou nem aí, não devo nada a ninguém: como o que quero, e amo como quero”.

“Acho que a gente tem que saber usar as coisas e não deixar que as coisas usem a gente. As drogas, principalmente as lisérgicas, me ajudaram muito na minha adolescência. Me ajudaram a entender o mundo de uma outra maneira, me ajudaram a ser uma pessoa mais segura de mim mesmo. Minha experiência com as drogas foi fantástica, só me fez bem. Mas foi uma coisa de adolescência, depois eu me tornei mais biriteiro”.

“Cartola não existiu. Foi um sonho que a gente teve”.

“Gosto de coisas densas, como a literatura de Clarice Lispector. Por falar nela, acabei de compor “Que o Deus venha (03/86)”, uma música inspirada em meu livro de cabeceira, ‘Água Viva'”.

“Antes eu era um cara de vida desregrada, nunca tinha ido ao médico e nunca tinha sentido nada. Então eu vi um sinal me avisando que eu tinha que me cuidar, que eu tenho um corpo e preciso dar atenção a ele… Dessa vez Jesus me chamou, mas não fui, disse que era cedo e ele podia esperar”.
Amiga, Eli Halfoun, 03/abril/1989

“A Warner queria que eu fosse um ídolo gay, e eu não quis”.

“Ser marginal foi uma decisão poética”
Veja, abril/1989

“Tive vontade de vomitar quando vi aquela capa da Veja. Acabei tendo um problema cardíaco e por isso passei o dia numa cadeira de rodas. Mas minha cabeça está a mil”.
Folha de São Paulo, 26/abril/1989

“Estou legal. Tive um problema cardíaco, a pressão baixou e eu estou na cadeira de rodas. Mas a cadeira de rodas anda a 120 mil. Não quero falar sobre Veja. Deixo isso pros meus amigos. Tenho texto do Caetano, do Chico Buarque, assinaturas da Gal Costa, Bethânia, Antonio Cícero, sei lá quantos, que estão brigando por mim e vai ser publicado nos jornais esta semana”.

“Quero mais é esquecer o assunto. Com essa matéria eles mexeram em casa de abelha. Não sabem o poder dos amigos – não poder de armas, mas do amor que sentem por mim. Eles vão tratar do assunto”.
“Foi uma coisa de mau-caráter, de má fé, mas eu acredito na justiça. Agonizando eu estava no ano passado, com 40 fios enfiados no corpo, sem funções, pulmão artificial. Agora, só a cadeira. Continuo trabalhando a mil por hora, tudo numa boa”.
O Estado de São Paulo, 26/abril/1989

“É a minha criatividade que me mantém vivo. Meu médico diz que sou um milagre porque eu tenho tanta energia, tanta vontade de criar, e que é isso que me deixa vivo. Minha cabeça está muito boa, ela comanda tudo”.

“Meu avô morreu dois anos antes de eu nascer. Mas para mim ele é muito importante, uma figura presente” (a música “Nabucodonosor” é em homenagem à ele)

“Se em 1985, no começo, eu tivesse ido logo a um médico, hoje estaria muito melhor. Sempre fui muito destrutivo, eu achei que tinha Aids, eu quis ter aids”.

“Eu queria sair do hospital, queria acabar logo com tudo aquilo, mas minha mãe me mandava ficar quieto, e eu ficava”.

“Disse à meu pais que eu estava com aids mesmo, que a gente tinha de curtir porque eu não sabia quanto tempo mais iríamos ficar juntos”.

“Me sinto livre, sem medo de morrer. Da última vez em que fui para a clínica, vi a cara da morte, entrei nela e saí, não sei como. É claro que eu não quero morrer, mas também não quero sofrer. Já pensei em suicídio, mas agora isso nem me passa pela cabeça. Falei com meu médico: se alguma coisa acontecer comigo, eu não quero ver. Que ele me dê morfina, muita morfina, porque eu quero ir embora dormindo. Estou pronto para assinar um papel nesse sentido. Mas não vai ser preciso. Tenho certeza de que vou viver muito tempo ainda. Minha cabeça comanda tudo. Já perdi a oportunidade de morrer, passou a minha vez”.

“Quando li pela primeira vez um artigo falando da doença, pensei que era aquilo que eu tinha. Comecei a ter febre nos fins de tarde, mas não contava para ninguém. Tomava duas aspirinas e ia para o bar, beber. Se nesse começo tivesse ido a um médico, hoje estaria muito melhor do que estou. Agora faço tratamento psiquiátrico para sair do alcoolismo. Tomo remédio para não ter vontade de beber, e não bebo. À noite, tomo um calmante e durmo seis horas. É pouco. Já vivi uma época em que dormia doze horas seguidas. Muitas vezes acordo sem ar e preciso de ajuda. Sexo ainda é importante para mim. Não sou um aidético casto”.

“Quando eu tinha 3 anos, meu pai me deu uma bola. Eu a peguei no colo e a ninei como a uma boneca. Essa foi a primeira decepção que o meu pai teve comigo.Meu pai e minha mãe são as pessoas que eu mais amo no mundo, mas nem sempre eles entendem o que passa pela minha cabeça. Eu tenho minhas idéias, meu mundo, daí acontece que, às vezes, a gente não conversa, mas discute. Mas a paixão que eu tenho por eles é a maior do mundo, e sem eles eu hoje não estaria aqui. Meu pai nasceu pobre, trabalhou e foi subindo na vida até chegar a uma cobertura em Ipanema. Ele é uma pessoa muito positiva. Quando eu cheguei em casa e disse que ia morrer, ele respondeu: ‘Vamos ficar juntos, lado a lado, e vencer isso'”.

“Quando eu estava no hospital de Boston, pensei muito e acabei descobrindo que ficar calado me deixava ainda mais traumatizado. É uma situação ambígua, de esconde-esconde. Mostrar aos outros que com aids pode-se continuar vivendo, trabalhando, produzindo me pareceu o caminho mais certo. Agora me sinto mais aliviado”.

“Existe uma curiosidade um pouco fora do normal por parte do público com relação a minha doença. Especialmente das pessoas das primeiras filas de meus shows, que me olham com ar de espanto, de preocupação. Mas depois todo mundo aplaude, e eu vibro. Eu sei lidar com o público. Tenho domínio do palco, fico com as pessoas na minha mão. Eu sempre olho para as pessoas da primeira fila. O resto, não quero nem saber. Só não agüento aqueles que vêm no camarim, ou que me esperam na saída, para me abraçar e sussurrar em meu ouvido: ‘Coragem, Cazuza, coragem’, com ar de funeral. Xingo essas pessoas na mesma hora”.

“Ser marginal foi uma decisão poética, mas foi o único caminho que tive. Descobri que era um artista aos 16 anos. Antes, aos 11, os Novos Baianos foram passar três dias na minha casa, e eu pensei que queria ser como eles. Baby Consuelo andava com um espelho retrovisor na cabeça, e eu achava o máximo. Recentemente, a Som Livre acabou com os artistas contratados, e eu também tive que sair. Mas teria saído do mesmo jeito porque eu era visto como o filho do dono, e não como artista, e todo mundo me adulava. Então saí e entrei em leilão. As ofertas eram boas, mas nem todas me convinham. A Warner queria que eu fosse um ídolo gay, e eu não quis. Com o que vendo, sou um biscoitinho bom para as gravadoras”.
Veja, Alessandro Porro e Angela Abreu, 26/abril/1989

“Eles me botaram na capa para dizer que sou medíocre”.
Manchete., Ana Gaio e Marilda Varejão, 13/maio/1989

“Eu quero ser um Caetano Veloso, que pode sair na rua, passear, ser amado por uns e odiado por outros. Adoro o Roberto Carlos, mas não queria ser um ídolo como ele”.
Jornal de Brasília – 19/05/1989

“Homem que é homem volta atrás, mas não se arrepende de nada”.
Jornal do Brasil, Tárik de Souza, 13/agosto/1989

Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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