Rock Gótico

O rock gótico ou gothic rock é um subgênero do rock e música característica da subcultura gótica, inspirado essencialmente na atmosfera decadentista pós-punk e em sua emergente estética.

“A atmosfera é realmente maléfica, mas você se sente à vontade dentro dela”. Bernard Albrecht – Joy division.

Ao fazer um comentário sobre o lendário filme Nosferatu, o guittarrista da banda Joy Division, sem querer, gerou o que muitos consideram a definição mais concisa do assunto. Dizem que os anos dourados são os 50 e os anos 80 a década perdida; mas os anos 80 – pra muita gente (Góticos ou não) – foram uma era dourada em termos musicais. Jamais desprezando a Rockabilly dos anos 50, o “yeah yeah yeah”, e também começo da abordagem de temas polêmicos, como o Diabo, o ocultismo, drogas, sociedade alternativa, etc. dos anos 60. Bandas como Beatles, Rolling Stones e The Doors, são marco de influência até hoje. Nos anos 70, inicio do Heavy Metal, que hoje tem um conceito totalmente diferente com a devido à popularização do new metal e de outro lado do metal melódico, também se firmava sobre esses temas. E também nessa época o Hard Rock, o Glam e no fim da década o Punk. Para explicar a música gótica, ou Gothic Rock/Darkwave, uma passagem em todos esses estilos será necessária, mostrando que o rock em si é uma teia com ligações inesperadas, gerando novos gêneros a cada dia.

Os anos oitenta ficaram conhecidos como a década perdida, na América latina, devido à estagnação econômica vivida pela região durante a época. Crises econômicas, volatilidade de mercados, problemas de solvência externa e baixo crescimento do PIB. No Brasil ocorria o fim do chamado “milagre econômico”, dada à época de excepcional crescimento econômico ocorrido durante a ditadura militar. No resto do mundo representou o fim da idade industrial e início da idade da informação, talvez por isso um momento bem propício para o surgimento do gênero musical em questão e seus parentes próximos mais eletronicamente dispostos, (Música industrial, EBM, Synthpop, etc) já que a Disco music (que já havia enfraquecida), a House music e a maioria dos outros tipos de música eletrônica se apoiavam em diversão apenas, tratando qualquer assunto sério com subjetividade (o amor é sempre mais bem visto para tema nesses moldes) e concebendo experimentalismo dançante para festas e clubes. Mas partindo desse principio podemos achar raízes para a darkwave sim, de algum modo. Com o surgimento da MTV muitos artistas ligados ao rumo do Gothic Rock tiveram vários clipes veiculados o que ajudava na divulgação de seu trabalho. David Bowie influênciado pela disco music, lançou o let´s dance, voltou ao loiro, usava um topete e ternos coloridos que eram também uma característica dos New Romantics. O movimento New Romantic, conhecido também como Romo, era um estilo musical e de moda surgido nos anos 80 na Inglaterra posterior ao estilo New Wave (fim dos anos 70), estilo este que acabou se dividindo entre New Romantic, Rock gótico e movimentos Pós-Punk. Da influência de Bowie ainda se pode dizer muito, tanto em música como em outros aspectos da subcultura. É muito provável que góticos usem ankhs só por causa dele (Ankhs é aquele símbolo egípcio, conhecida também como cruz de ansada, que representa vida após a morte, por isso é também usado por vampyros contemporâneos) No filme Hunger – Fome de Vida, David Bowie interpreta um vampiro e usa um exemplar afiadíssimo pra ferir a jugular de sua vitimas (Ele não tinha dentes afiados). Essa imagem também ficou marcada pelo fundo musical de quando ele sai à caça de uma presa com sua companheira. A música era “Bela Lugosi´s Dead” do Bauhaus.

Já na década de 50 algumas bandas assumiam um tom macabro de encenação com o rock n’ roll, inspirados nos filmes de horror da época e os clássicos de outras épocas. O que mais tarde seria utilizado por bandas de Death rock e Psychobilly, a diferença para o rock gótico é que a influência vem mais de filmes expressionistas (cult), que tinham uma preocupação com a ambientação, o pavor, a atmosfera sufocante mesmo. E os filmes genéricos feitos a partir de clássicos (como a filha de drácula, jovem frankstein, o retorno de drácula, etc.), exibidos em drive in’s, e os filmes B é que estão presentes na cena death. A relação entre as duas coisas é óbvia, esses filmes tinham um caráter irônico, não eram apenas sustos, acabavam por serem divertidos, engraçados mesmo. E o grande forte do death rock é esse, a ironia, o humor negro, quem disse que a morte tem que ser como é? A estrutura musical dos anos cinqüenta também foi aproveitada (muitas bandas atuais parecem estar fazendo uma rockabilly macabra). Nos anos sessenta se iniciou uma fase de criação incrivelmente psicodélica no rock, talvez graças ao último, e bem sucedido, disco dos Beatles. O Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band era altamente colorido e experimental. Foram usadas técnicas que nem eram imaginadas na época pra fazerem uma banda de quatro pessoas soar como uma orquestra inteira, instrumentos e sons diferentes; e as faixas eram emendadas umas nas outras. De outro lado bandas como Os Rolling Stones mergulhavam em uma atmosfera mais requintada de diabolismo e decadência humana. Na contramão do floreado dos garotos de Liverpool, Their Satanic Majestic Request, do Stones, tinha uma abordagem sombria e perturbadora. Quem também não conhece a famosa obra Paint it black do grupo, que possui vários covers de bandas da subcultura gótica? A música é um clássico melancólico onde Mick quer pintar tudo de preto e vê seu mundo se rendendo a essa cor. Poucas outras bandas da época escaparam da chuva de flores, paz e amor que os Hippies evocavam sobre os anos 60, as que conseguiram fizeram de sua missão perturbar a mente de quem quisesse ouvir. Os Stones teriam que competir pelo título de majestade satã se o quisessem só pra eles; na metade da década surge o Velvet Underground. Graças ao empurrão de Andy Warhol, rei da pop arte, a banda se tornou um grande sucesso. Embora Andy tenha achado que seria uma boa idéia inserir a modelo Nico na banda ela realmente não se integrou muito. O primeiro disco recebeu o nome de Velvet Underground and Nico (cuja famosa capa desenhada por Andy, era uma banana), primeiro e único, a modelo pulou fora logo mais e se deu bem em uma carreira solo (suas músicas não deixam de ser melancólicas e sinistras). Andy Warhol acabou também por perder o interesse pela banda. Mas a evocação de violência, vicio em sexo e drogas e todo tipo de perdição tinha que continuar, outros membros da banda já assumiam os vocais, mas Lou Reed acabou por tomar a frente. Em 1970 quando deixou a banda para seguir carreira solo ela se deu por extinta. Também o The Doors seja talvez a banda mais caótica da época, e, portanto, mais influente na música gótica. Jim Morrison se proclamou o rei lagarto dizendo que podia fazer o que queria, inclusive era muito cogitada o fato de tocar o que não se pudesse onde diziam que não se devia tocar. Ray Manzarek convenceu seu tímido amigo Jim que suas poesias dariam belas canções, Ray tocava teclados, Robby Krieger guitarra, John Densmore bateria, e Jim ficou nos vocais. Jim Morrison demorou a se soltar, mas a bebida e as luzes da ribalta o fizeram, e em pouco tempo lá estava ele sendo expulso do Whisky a Go Go por tocarem The End. A música diz “Quero estuprar minha mãe e matar meu pai”, não era por menos. Mais tarde, já famosos, participavam ao vivo do Ed Sullivan Show, onde eram vetados em uma parte de Light my Fire, sugeriram que ele não dissesse “menina não poderíamos estar mais chapados”, quem sabe poderiam dizer “melhores”, e Morrison não deixou por menos, cantou a letra como era. Sempre no mesmo caminhos em que os hippies espalhavam flores muitas outras bandas trilharam morte, desespero e polemica até os anos 70.

Embora originalmente considerado um rótulo para um número pequeno de bandas de rock/pós-punk, o rock gótico possui, hoje, um espectro bem maior – abrangendo em si o death rock, a Música industrial e até algumas bandas da new wave, por exemplo. Enquanto a maioria das bandas punks focava-se em um estilo agressivo, as primeiras bandas góticas eram mais pessoais e introvertidas, com elementos de movimentos literários como horror gótico, romantismo e niilismo. As primeiras bandas consideradas góticas foram: Sisters of Mercy, Bauhaus, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, etc. Embora, como já foi dito, nem todas aceitem de bom grado o termo. O Bauhaus é considerada a banda pioneira do estilo. Surgiram em meados de 78. “Bela Lugosi is Dead” é um épico com nove minutos de duração, seu single foi lançado pelo selo independente Small Wonder. Bela Lugosi foi um ator que ficou marcado na interpretação do clássico Drácula de Bram Stoker. Apesar de não ter sido exatamente um sucesso de vendas, a música definiu tudo aquilo que seria o rock gótico (guitarras fálicas distantes do resto dos instrumentos e um vocal que se mistura a todo o resto como que solto no espaço), e se manteve nas paradas independentes da Inglaterra por anos e anos. Como já foi dito, a ausência de cores e o inconformismo vinham da desconfiança no futuro, graças ao o período nuclear da guerra fria, da cortina de ferro, e de crise econômica. Como se pode ver realmente a situação propicia para obscuridão e não louros! A voz e os trejeitos de Peter Murphy, onde se via um comportamento meio Glam (Influências diretas dos primeiros álbuns solos de Iggy Pop, produzidos por ninguém mais que seu amigo Bowie) é uma presença forte e contribuiu para o culto da banda. O primeiro álbum do Bauhaus foi o “In the flat field”, mas o segundo, de 81, “Mask”, revelou uma maior ambição musical dos pais do gothic rock. Os elementos eletrônicos, metais, tudo misturado à já conhecida fórmula dark gerou um dos melhores álbuns da década de 80, melhor ainda que seu predecessor, e ainda por cima dando origem ao que chamamos darkwave. Talvez entre as bandas mais conhecidas, até pelos não aprofundados no cerne gótico, além de Bauhaus, estejam ainda The Cure e Joy Division. Robert Smith liderou a banda, inicialmente chamada The Easy Cure, e permaneceu nela desde sempre. Seu estilo é algo um tanto indefinível, mas como já foi citado, nem todas as bandas góticas se definiam assim. Post punk era uma definição bem usada – por surgir depois o auge do punk rock. Na verdade o Cure teve várias fases. O primeiro álbum “Three Imaginary Boys” – 1979 – teve um tour de promoção que os levou a serem convidados para serem a banda de suporte para a banda Siouxsie And The Banshees – banda também bastante conhecida na cena punk e post punk, com o vocal feminino de Siouxsie Sioux, Robert Smith fora o guitarrista da banda durante sua fase punk. Poucas bandas conseguiram fazer uma transição de fases tão bem quanto os Banshees, saindo do punk e se tornando um exponencial gótico. Boys Don’t Cry quando foi lançado em 1980, não obtendo o sucesso esperado; só em 1986 torna-se um hino da banda. Musicas como “Friday I´m in love”, “Lovesong”, “Lullaby” e “A Letter to Elise”, foram outros de seus grandes sucessos. Joy Division, de Manchester, também possui várias definições de estilos. Essencial para se saber da banda é que suas músicas têm um tom igual ao definido em Bela Lugosi´s Dead, mas ainda com uma bateria de certa austeridade militar executada por Stephen Morris e o que alguns produtores definiriam como death disco, letras significativas em contraste com uma batida compulsória inclinada à dança; algumas músicas possuem toques eletrônicos e pra finalizar os vocais reverberados de Ian Cults. Músicas como Love Wil Tears Apart (a mais conhecida), “She´s Lost Control”, “Transmission”, “New Fades Dawn” e “Isolation” falam por si só. O mais impressionante (e triste) é que a banda só possui quatro discos concretos (sem contar compilações, extras ou ao vivo, singles e etc.), e dois deles são de estúdio, gravados entre 77 e 80. Por Ian sofrer de epilepsia e ter sérios problemas conjugais foi levado a uma depressão que culminou em suicídio – em suas palavras: “tudo isso é muito ruim, preferia estar morto agora” – em 18 de maio de 1980. Sem aqueles vocais o Joy nunca mais seria o mesmo. Mudaram sua sonoridade e letras, formando o New Order. Embora Nova Ordem fosse o que Adolf Hitler pretendia impor à humanidade caso vencesse a Segunda Guerra Mundial, qualquer comparação não passa de bobagem política, o nome visava apenas explicitar a mudança. A banda se distanciou do genêro que a consagrou com algo bem diferenciado, alinhado à house e comercializável, mas não deixa de agradar muitos membros da subcultura gótica até hoje. Enfim, a produção da época é tão grande que não há como citar um pouco de tudo.

Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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Uma resposta para Rock Gótico

  1. Iêda Campos Marques disse:

    Gostaria de receber informações sobre música gótica no meu e-mail.
    Obrigado.

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