Hardcore

Hardcore é o nome atribuído a uma variação extrema de algo. Hardcore significa literalmente miolo, ou centro, duro, linha dura. A palavra era usada para designar militantes agressivos e também criminosos.

  • Em pornografia a palavra se refere a conteúdo sexual explícito

  • Em música as vertentes hardcore mais comuns são:

    • Hardcore hip-hop.

    • Hardcore punk.

    • Hardcore techno: oldskool hardcore, happy hardcore, breakcore, speedcore, etc.

 Nós, da Escola do Rock, rockers de alma, veremos o hardcore do rock

Hardcore, no contexto punk, refere-se à cena musical surgida internacionalmente através da “segunda onda” do punk, no começo da década de 1980, e mais comumente à um estilo de punk rock caracterizado inicialmente por tempos extremamente acelerados, canções curtas, letras baseadas no protesto político e social, revolta e frustrações individuais, cantadas de forma agressiva.

No final dos anos 70 (pode-se usar 1978 como ano-zero), uma série de bandas, em particular nas cidades costeiras do sul da Califórnia, nos Estados Unidos, em geral adolescentes suburbanos, formaram uma cena punk mais extrema (tanto no aspecto musical como comportamental) comparada às variações de sucesso de outras regiões do país e do resto do mundo. Hardcore significa literalmente “núcleo duro“, mas o significado mais adequado em português seria “casca-grossa“.

A palavra já era usada para designar militantes agressivos, criminosos ou qualquer versão mais extrema ou exagerada de algo e foi adotada por punks como sinônimo de originalidade e radicalismo, tanto em oposição à sonoridade mais lenta e fiel ao Rock and Roll tradicional dos medalhões do punk rock como Sex Pistols, quanto à versão comercial e açucarada do gênero, conhecida como New Wave, que começava a triunfar nas FMs.

Algumas das bandas pioneiras desta cena hardcore inicial da Califórnia, entre 1978 e 1980 foram os Germs, Black Flag, Middle Class, The Adolescents, Suicidal Tendencies, Vicious Circle (que gerou o TSOL) no sul do Estado e, em São Francisco, os Dead Kennedys. Paralelamente, os Bad Brains e os Teen Idles desenvolviam um estilo semelhante do outro lado do país, em Washington D.C.

Qual foi o primeiro disco do gênero é um ponto polêmico, mas dois discos que combinam pioneirismo com uma postura hardcore definida foram os EPs “Out of Vogue” da banda Middle Class (na altura o disco de rock mais veloz de todos os tempos) e “Nervous Breakdown”, do Black Flag (menos rápido, mas igualmente agressivo), lançados em 1978. Neste mesmo ano saiu também o EP “Lexicon Devil”, dos Germs, que, acelerando o andamento em relação ao primeiro single da banda, serviu como ponte entre a primeira geração do punk de Los Angeles e o Hardcore propriamente dito. O álbum da banda, “GI”, sairia no ano seguinte e conteria ainda mais traços do que passaria a se chamar de Hardcore.

Enquanto isso, em Vancouver, no Canadá, bandas como D.O.A. e Subhumans desenvolviam algo semelhante, musical e ideologicamente. O D.O.A. foi um dos responsáveis pela propagação do termo, com seu disco “Hardcore ’81”.

Com a fama underground de bandas da cena hardcore de inclinação à extrema velocidade, como Bad Brains, Circle Jerks, Dead Kennedys e Minor Threat, a palavra se tornou definitivamente um sinônimo para um estilo novo de punk rock. Este estilo se consolida nos primeiros anos da década de 1980 caracterizado por músicas que geralmente não chegam à 1 minuto de duração, com ritmos 2 por 2, velocidade extremamente acelerada, vozes gritadas, negação da estrutura verso-coro-verso, e guitarras exageradamente distorcidas.

Em comparação com a primeira geração do Punk e com seus contemporâneos Europeus o Hardcore americano dos anos 80 não deu tanta importância ao visual. Assim como a música “aparava as arestas” do punk rock, tornando-o mais direto e econômico, os adeptos do Hardcore abandonaram em grande parte os badulaques e cortes de cabelo exóticos, substituindo-os por cabeças raspadas ou cortes militares e roupas baratas e mais “comuns”, algumas vezes influenciadas pelo skate.Alias, os primeiros skaters estavam muito ligados a onda punk hardcore, os “skate punks” usavam um look que era um misto do look dos surfistas californeanos (cabelos pelos ombros e sempre a mesma roupa durante meses) e da onda punk hardcore (calças d ganga justas, t-shirts curtas, tatuagens nos braços e tronco). No filme Lords Of Dog Town a relaçao entre os primeiros skaters e a onda punk hardcore esta bem presente, Jay Adams no início estava dentro da onda skate/surf e mais para a frente torna-se um skinhead.

Entre 1980 e 1981 muitos participantes da cena hardcore se aproximaram ideologicamente da primeira geração anarcopunk que se desenvolvia na Inglaterra. Ambas cenas demonstravam uma postura punk nitidamente construtiva (apesar das referências pessimistas e agressivas). Inicialmente a atitude mental positiva, em contraposição à típica imagem do punk como um junkie vândalo, foi defendida por membros dos Bad Brains, mas ganhou força com a postura anti auto-destrutiva da banda Minor Threat, que não usava nenhum tipo de drogas e foi transformada pouco tempo depois no movimento straight-edge. Na Inglaterra a primeira geração anarcopunk defendia, entre outras coisas, a não-violência e o veganismo/libertação animal.

Outras importantes características compartilhadas são a formação de gravadoras completamente independentes e produção de folhetos e fanzines de cunho político. Jello Biafra, vocalista da banda hardcore Dead Kennedys, cria a gravadora independente Alternative Tentacles e se torna junto com a SST (do Black Flag) um dos marcos para a produção e divulgação hardcore.

 Vertentes do hardcore:

O estilo evoluiu para outras vertentes:

  • Grindcore: Assim como o Crossover, surgiu a partir da influência do heavy metal junto a alguns setores da cena punk em meados da década de 80, mas diferente deste, é uma mescla apenas dos aspectos mais extremos de ambos os gêneros. É notavelmente uma versão mais extrema do, já extremo, hardcore, baseado nos chamados “blast beats”, as batidas ultra-rápidas de caixa e bumbo, cujo mais célebre praticante foi Mick Harris, baterista do Napalm Death e produtor musical e também criador do termo “Grindcore”

  • Metalcore: Estilo surgido nos anos 90 que consiste basicamente em músicos provenientes da cena Hardcore tocando música quase que totalmente baseada no metal, mais precisamente no Thrash Metal e Death Metal. No entanto, o metalcore se diferencia do metal propriamente dito por ser em geral musicalmente mais simples, de qualidade inferior, pelos vocais que costumam manter alguma semelhança com o punk e pelas letras muitas vezes mais influenciadas pela estética e ideologia do hardcore.

  • Crustcore: associado à cultura da segunda geração anarcopunk (ecologia, anarquismo, pró-libertação animal), se assemelha ao grindcore no extremismo mas a sonoridade é mais lenta e marcada pelas influências metálicas (de maneira diferente do Grind) e/ou do som criado pelo Discharge. Ideologicamente é ligado ao estilo de vida dos punks Europeus, em grande parte moradores de squats (casas ocupadas) e defensores da participação mínima no “sistema”. Geralmente, o visual agressivo ainda esta presente mas com algumas inovações, como os dreadlocks e outras misturas entre elementos tribais e futuristas.

  • Emocore: maior inclinação à questões sentimentais e pessoais além de uma estrutura musical mais melódica, influenciada pelo indie. Inicialmente bastante ligado ao chamado pós-hardcore. O termo foi criado na metade dos anos 80 para descrever bandas vindas da cena Hardcore de Washington, como Embrace e Rites Of Spring, cujas letras eram mais poéticas e introspectivas (ainda que muitas vezes continuassem politizadas à sua maneira) e cuja música, mais elaborada, mesclava a intensidade Hardcore com elementos vindos do pós punk. Foi adquirindo um novo sentido na segunda metade da década de 90. Conforme foi se distanciando das raizes Hardcore e se aproximando do pop-rock, a estética e música foram mudando, o que acabou por gerar a moda emo dos anos 2000, já totalmente diversa do Hardcore punk original e chegando a lembrar as boy-bands e outros fenômenos da indústria cultural para adolescentes.

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Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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