The Libertines

Curiosamente, os The Libertines conseguiram o seu merecido reconhecimento com uma ajuda do outro lado do oceano: os Strokes. Ninguém queria saber daquela coisa suja, cheia de gás, imposta pelos ingleses, mas o “novo rock” dos The Strokes (que no ano seguinte tornava-se passado) chegava aos ouvidos de todo o mundo, firmando no cenário rocker mundial uma leva de novas bandas, como o The Hives na Suécia e The Vines na Austrália.

Mas apesar das semelhanças com essas bandas, muita gente é radicalmente contra esse tipo de comparação, elevando o The Libertines ao status de “novo The Clash” – o que por sua vez desperta a ira de muitos outros radicais de plantão. Diferentemente dos seus similares, o Libertines tinha um pouco de Blues sessentista no seu som, dando um ar mais sombrio.

Deixando os rótulos de lado, o fato é que “Up The Bracket”, o ‘debut’, chegou às lojas, em 2003, cercado de polêmicas. Isso porque o guitarrista e vocalista Pete Doherty é um encrenqueiro de primeira e vive sendo notícia por suas internações e fugas em clínicas de reabilitação, além de notas mais bizarras como o assalto que realizou na casa de seu próprio companheiro de banda, Carl Barat.

A formação se completa ainda com o baterista Gary Powell e com o baixista John Hassall, que julgam por aí apenas como figurantes, escondendo o trabalho fundamental que os mesmos exercem na banda.

No ano seguinte vem o segundo trabalho, auto-intitulado. “The Libertines”, assim como o disco de estréia, foi produzido por Mick Jones, ex-guitarrista do The Clash, sendo que o engenheiro de som foi Bill Price, que já gravou clássicos como “London Calling”, do próprio The Clash e “Appetite for Destruction”, dos Guns n’ Roses.

As letras da banda falam basicamente de drogas, amores e da conturbada relação entre Barât e Doherty, que, sem a menor cerimônia, discutem seus problemas nas próprias músicas do grupo. Mas como as brigas ficaram cada vez mais constantes, Pete Doherty anunciou sua saída do grupo em Maio de 2004.

Mesmo assim, a dupla vive se encontrando e se separando, sem que ninguém saiba ao certo como eles irão se apresentar em algum show, por exemplo. Para não correr riscos, o The Libertines chamou o reforço do guitarrista Anthony Rossomando, enquanto que Doherty excursiona com o Babyshambles.

O grupo ainda foi escalado para tocar na segunda edição do Tim Festival, em São Paulo, no mês de Novembro.

The Libertines é uma das bandas que vem conseguindo maior espaço e destaque na cena Rock internacional. A banda faz parte do novo movimento “quanto mais simples, desencanado e despojado melhor”, que conta com nomes como The White Stripes entre outros.

O álbum homônimo, o segundo da carreira, segue essa filosofia ao limite e mais parece que a banda não ensaiou muito antes de entrar em estúdio. Com ares de improviso, vocais desafinados (o que é o refrão daquela “Don’t Be Shy”?) e guitarrinhas estridentes, os ingleses dão seu recado em mostram que nem só de técnica vive o Rock.

“The Libertines” é a continuidade de “Up the Bracket” e o regresso da música aos primórdios, onde tudo era feito mais com vontade e instinto. Muita gente pode torcer o nariz, mas, por mais fácil que possa parecer, fazer um som desse tipo exige um certo talento e competência.

Assim é chamado Garage Rock e assim é o The Libertines. Um histórico problemático, cheio de confusões, brigas e drogas, apenas fez com que o nome da banda se tornasse mais popular na cena e chamasse a atenção da mídia. O guitarrista e vocalista Pete Doherty, por exemplo, deixou os outros falando sozinho assim que o disco foi lançado. Carl Barât, o outro líder, segurou a bronca sozinho e tem se apresentado sem o companheiro pelo mundo, tocando inclusive aqui no Brasil, recentemente.

Mas é claro que por trás da aparência adolescente do som, existe toda uma jogada da indústria fonográfica. O álbum foi produzido por Mick Jones, guitarrista do The Clash, e o engenheiro de som foi Bill Price, que já gravou bandas como Guns n’ Roses, além do próprio The Clash. Daí, podemos deduzir que os erros, qualidade ruim de gravação entre outros “defeitos” são propositais e muito bem calculados.

Para quem já está acostumado com a proposta dessas bandas e gosta de reviver o passado do Rock e do Punk/Punk Rock sem ter que, necessariamente, ouvir um disco velho para isso.

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Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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