A contracultura

A contracultura foi mais que tudo, uma luta no campo da ideologia e das relações de reprodução da vida social. A juventude tomava a vez, queria ditar o rumo de sua própria história e insatisfeita com o mundo ousou mudar também o rumo como o planeta Terra girava até então. A aldeia global, idéia para fusão de todo planeta em um grande pólo cultural e não dividido em doisa pólos ou em Ocidente e Oriente. Tabus culturais e morais deveriam ser exorcisados da sociedade moderna e pós moderna. A sociedade e suas divisões deveriam ser transportas como um mal real. O jovem queria estar firme para o início de uma nova era. O Woodstock e Maio de 68 na França são seus mais indiscutíveis marcos. A partir deles a contracultura adquiriu universalidade. A mulher, os negros e homossexuais, além dos jovens sempre atrás dos seus pais queriam voz ativa. Freud disseminou o sonho como forma de expressão e os cacuetes, manias, vícios e desvios como algo normal, mesmo que não bom, em toda a spciedade. Todos somos anormais e isso é normal. Todas as instituições pareciam reprimir o homem ocidental que começou a buscar no oriente algo que lhes fizesse sentido real. A consciência coletiva precisva ser destruída e os indivíduos deveriam ter cada qual o seu pensamento, a sua teoria, a sua ideologia para viver. Woodstock era drogas, rock´n´roll, sexo, paz, amor, nudez, flores expostas.

Rockeiros, freaks, beatniks, cabeludos, psicodélicos, motoqueiros, filhos da guerra fria, andarilhos, malucos, Yppies, hippies. Independentemente do nome que lhes seja dado, já estavam por aí contestando os costumes estabelecidos. No final da década de 50 surge a “Beat Generation”. Jorge Mautner e José Agripino de Paula são bons exemplos no Brasil. Na França também se deu prioridade à luta ideológica, contudo as palavras de ordem “gozem sem entraves” e “é proibido proibir” não são questões da mesma esfera das lutas pela redução de impostos. Os franceses tiveram contra si um enraizamento cultural e institucional inegavelmente muito mais solidificado que os americanos. No plano das instituições sociais e da “espiritualidade”. Radicalmente pacífica e mais despida dos preconceitos dos europeus quanto à dimensão política das lutas ideológicas. Menos discurso formal e mais prática informal. Difícil citar a contracultura sem nos depararmos com o mal utilizado clichê: “sexo, drogas e rock and roll”. Parece um fato que a música consegue romper a barreira das línguas com muito mais facilidade que qualquer outra forma de expressão. Nas palavras de Yoko Ono, a vitória das virtudes masculinas sobre as femininas. Nietzsche, viu uma saída. Sonhou um super-homem, que seria resultado da superação destas amarras sociais. Yoko Ono, junto com John, enfrentou costumes por um planeta menos dividido, menos repressor, menos inquisidor e menos porco chauvinista. Mais humano. “Demasiadamente humano”. Os artistas são a antena da raça(fazendo uma paródia com frase de Ezra Pound). Naquele momento o mundo se espantava em ser os Beatles mais conhecidos que Jesus Cristo. Parece indiscutível que são heranças da contracultura, na maneira em que estão hoje organizados, os movimentos de luta pela igualdade de direitos para as mulheres e em defesa dos homossexuais. Os movimentos anti-racistas e pela legalização das drogas. São também filhos da contracultura os movimentos pacifistas e as coloridas e “performáticas” passeatas contra a guerra e pelo equilíbrio ecológico. Em suma, as questões dos hoje, chamados movimentos de minorias, (que em realidades são de imensas maiorias éticas), tomaram corpo e universalidade a partir da contracultura. A revalorização da cultura oriental, em si uma contestação da cultura ocidental, que presenciamos na três últimas décadas, tomou corpo sobretudo nesta época. Não só a religiosidade ocidental foi posta em xeque pela confrontação com outras maneiras de ver o mundo e as coisas. Até mesmo os hábitos alimentares e o conceito de saúde foram postos contra a parede. A contracultura plantou uma nova idéia de família, de casamento, das relações sexuais; de uma outra atitude para com a natureza, para com o próprio corpo e para com Deus. “Olhos Novos para o Novo”, dizia Oswald de Andrade, nosso antropofágico poeta. A conviver com uma nova visão das relações sexuais, do casamento, das relações raciais e com a natureza. E a ter que aceitar o divórcio, a quebra do tabu da virgindade, o uso da pílula e atualmente a camisinha (estupidamente condenada pela igreja). Etc e etc. Penso que quando John Lennon cantou “o sonho acabou”, na música God, ele não estava desistindo de uma nova consciência social. Aqueles versos soam como um alerta contra atitudes extremas. Contra a idolatria. Naquele momento se falava no fim da era de aquários. Início de uma nova atitude. Era preciso que aqueles versos soassem como um “se toque”. “Encare a realidade de frente”. “Seja mais você, com suas opiniões”. John Lennon sabia disto. Se assim não fosse, ele não teria composto a canção Imagine, pouco tempo depois. Hoje vemos valores contraculturais absorvidos e tomados pela moda e mídia. Isso não é uma forma de saber o que deu certo ou errado nas idéias da contra-cultura?

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Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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