Titãs

Titãs é uma banda de pop rock brasileira formada em São Paulo na década de 1980. Ativa há mais de 25 anos, tornou-se uma das mais famosas do BRock, ao lado de Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, entre outras. Algumas de suas músicas de maior sucesso são Sonífera Ilha, Flores, Polícia, Comida, Marvin e Epitáfio. Em toda a carreira, foram vendidos cerca de 4,5 milhões de discos.

A maioria dos integrantes da banda se conheceu no Colégio Equipe, em São Paulo, no final da década de 1970 e, a partir de uma apresentação no próprio colégio em 1981, a banda passou a fazer shows em várias casas noturnas da cidade. A primeira formação contava com nove integrantes — Arnaldo Antunes , Branco Mello, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Belloto, Ciro Pessoa e André Jung. Além da quantidade exagerada de vocalistas no palco (seis ao todo), a banda também chamava atenção por seu visual extravagante, que incluía penteados estranhos, maquiagens, ternos e gravatas de bolinhas.

Em 1984, sem Ciro Pessoa, a banda assinou contrato com a gravadora WEA para gravação do primeiro álbum da banda, produzido por Pena Schimdt, que, apesar de modesta vendagem, colocou a banda nas rádios com o primeiro hit da banda — “Sonífera Ilha” — e garantiu aos Titãs as primeiras aparições na TV em programas famosos da época, como Bolinha, Raul Gil e Chacrinha.

Em 1985, com Charles Gavin no lugar de André Jung na bateria (Jung hoje é baterista da banda Ira!), ocorreu o lançamento do álbum “Televisão“, produzido por Lulu Santos, com arranjos um pouco melhores do que os do disco anterior. As vendas foram modestas, assim como no primeiro disco, mas os Titãs continuaram ganhando espaço.

Em novembro de 1985, Tony Belotto e Arnaldo Antunes foram presos (o primeiro por porte e o segundo por porte e tráfico de heroína). Belotto foi libertado sob fiança mas Arnaldo Antunes permaneceu atrás das grades por um tempo. O episódio teve um grande impacto na banda. Ofertas de shows escassearam. A banda perdeu sua aura de “inocência” diante da mídia. E resolveu responder à altura. O que pode ser percebido no disco seguinte, “Cabeça Dinossauro“, lançado em junho de 1986, trazendo várias faixas com críticas às instituições da sociedade brasileira (“Estado violência“, “Polícia“, “Igreja“, “Família“). Os ritmos pesados de influência punk e as letras contundentes, características da banda naquela fase, estão plenamente representados neste álbum.

Mesmo que as emissoras se recusassem a tocar as músicas de “Cabeça Dinossauro“, o disco ganhou paulatinamente o público. Após um começo de turnê desapontador (shows para 30 ou menos pessoas), shows cada vez mais agressivos (dispensando o apelo pop de outrora) se tornaram lendários (como o do Teatro Carlos Gomes, no Rio). O marketing espontâneo não demorou muito e, por fim, os Titãs ganharam seu primeiro disco de ouro. Sem outra alternativa, as emissoras tiveram que aceitar as músicas, e algumas se deram ao luxo de tocar inclusive as faixas censuradas, como “Bichos Escrotos“, mesmo que isto lhes custasse uma taxa. O disco até hoje é considerado por muitos críticos como o melhor trabalho da banda, um marco na história do rock brasileiro.

Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas“, lançado no final de 1987, continuou o trabalho do álbum anterior em faixas como “Nome aos Bois“, “Lugar Nenhum” e “Desordem“, porém acrescentou um toque de modernidade ao utilizar samplers, uma novidade na época, em faixas como “Corações e Mentes“, “Comida” e “Diversão“. Após algumas apresentações internacionais, a banda gravou ao vivo uma seleção de músicas antigas e lançou o álbum “Go Back“, em 1988.

O produtor Liminha sempre foi um parceiro importante da banda desde “Cabeça Dinossauro” e esta parceria chegou ao auge em “Õ Blésq Blom“, uma das produções mais populares até então da banda. Entre as músicas de destaque trazia “Miséria“, “Flores“, “O Pulso” e “32 Dentes“. Um dos destaques curiosos deste trabalho foi a participação especial do casal de repentistas pernambucanos “Mauro e Quitéria”, descobertos pela banda numa praia de Recife.

Lançado em 1991, na baixa do mercado fonográfico brasileiro oriunda da crise econômica do governo Fernando Collor de Mello, “Tudo ao Mesmo Tempo Agora” foi um baque para os críticos, defensores incondicionais da banda. O disco marca uma retomada da estética de “Cabeça Dinossauro“, no entanto mais cru, com mixagem irregular e canções escatológicas. Num arroubo de confiança, os próprios integrantes produziram o disco e o fracasso comercial do trabalho foi possivelmente o estopim para a saída de Arnaldo Antunes, que passou a se dedicar a uma carreira solo. “Titanomaquia” de 1993 continuou o trabalho anterior, com uma instrumentação “pesada” e letras escatológicas, mas com a novidade de contar com a produção de Jack Endino, produtor de bandas importantes como o Nirvana. A mídia se mostrou mais receptiva, mas as vendagens continuaram modestas.

Em 1995 a banda resolveu se separar por um ano e vários integrantes aproveitaram para produzir trabalhos solo ou junto a outras bandas, ou mesmo para se aventurar por outros tipos de atividade, como foi o caso de Tony Belotto, que publicou o seu primeiro livro.

Ao lançar Domingo no final de 1995, a banda assumiu definitivamente sua vocação pop e sua popularidade alcançou um segundo ápice no trabalho comemorativo de 15 anos, o Acústico MTV, que vendeu 1,7 milhões de cópias, seguido de Volume Dois, no mesmo formato do Acústico, 800 mil cópias vendidas. A gravação de covers de outros artistas em As Dez Mais apesar de suas 400 mil cópias vendidas representou um ponto baixo em termos artísticos, com a crítica reavivando sua virulência dos tempos de Tudo Ao Mesmo Tempo Agora. A banda resolveu fazer um segundo intervalo sabático em 2000.

Em 11 de Junho de 2001 o guitarrista Marcello Fromer foi atropelado por uma moto em São Paulo e morreu dois dias depois. Foi um duro golpe para a banda, que iniciaria no dia seguinte a gravação de mais um trabalho. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana foi lançado no fim de 2001 e trouxe “Epitáfio” como destaque, canção que poderia representar o momento vivido pela banda, que, após perder Marcello Fromer, viu a saída do baixista e vocalista Nando Reis, interessado em investir em sua carreira solo de grande sucesso (que eventualmente logrou eclipsar, comercialmente, a da própria banda-mãe).

Apesar dos reveses, com o lançamento de Como Estão Vocês? no final de 2003, os Titãs mantiveram a estética de seus últimos discos, apostando em baladas e mensagens de auto-ajuda, por um lado mantendo uma sólida legião de fãs adolescentes, por outro ocasionando a rejeição de seus fãs mais antigos. A mídia já há uma década considera a banda como uma espécie de “dinossauro” do pop rock brasileiro, desprovida de maior relevância artística.

A despeito das críticas, a banda persevera. Recentemente, em 2005, lança o segundo disco ao vivo da história da banda, e o primeiro gravado no Brasil, “MTV Ao Vivo”, com algumas musicas dos 25 anos de historia da banda e com as inéditas “Vossa Excelência” e “O Inferno São Os Outros”.

É inegável que os Titãs, graças a seus discos clássicos da segunda metade dos anos 1980, têm lugar de destaque na história da música popular brasileira da segunda metade do século XX, bem como continuam influenciando bandas contemporâneas. Jovens artistas brasileiros que se destacam por seu conteúdo “engajado” e letras “inconformistas” são também corriqueiramente associados aos Titãs, principalmente da fase Cabeça Dinossauro.

Titãs hoje

  • Paulo Miklos – vocalista, saxofonista, gaitista, guitarrista e bandolinista
  • Tony Belloto – guitarrista
  • Branco Mello – vocalista e baixista
  • Sérgio Britto – vocalista e tecladista
  • Charles Gavin – baterista

Ex-integrantes

  • André Jung – baterista
  • Arnaldo Antunes – vocalista
  • Ciro Pessoa – vocalista
  • Nando Reis – baixista e vocalista
  • Marcelo Fromer – guitarrista

Titãs albuns

  • Titãs (1984)
  • Televisão (1985)
  • Cabeça Dinossauro (1986)
  • Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987)
  • Õ Blésq Blom (1989)
  • Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991)
  • Titanomaquia (1993)
  • Domingo (1995)
  • Volume Dois (1998)
  • A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana (2001)
  • Como Estão Vocês? (2003)
  • Go Back (1988)
  • Acústico MTV Titãs (1997)
  • Sempre Livre Mix – Titãs e Paralamas Juntos ao Vivo (1999)
  • MTV ao vivo Titãs (2005)
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Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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