By Cortney Love

courtney love
por Courtney Love
Eu nasci má. Meu pai biológico era um cara mau, então mamãe simplesmente pensou: “Ooh, ela tem aquela semente de maldade no sangue nela”. No coração, em casa e com namorados, sou uma boa menina, mas não conte a ninguém.
Quando você é uma garota má, as pessoas se espantam com você. Você não é assaltada ou estuprada porque você não tem nenhuma energia de vítima (tenho certeza que isso aconteceu, só não tão freqüentemente).É ruim se você é famosa, entretanto, porque os garotos querem te foder, mas você então vêem que é uma garota normal e eles dizem: “Oooh”, porque eles pensaram que você fosse espancá-los. Duh, cuzão.

Quando você é uma garota má, todo mundo faz o que você quer. Você tem espaço para crescer. Garotas más são mais simpáticas que boas meninas e são melhores que as outras garotas, na maioria das vezes, a menos que as outras garotas sejam atraentes e que queiram um pouquinho de tempero de bad girl no corpo como se fosse perfume. Garotas más também são mais espirituosas e menos propensas ao vício em drogas, ou, se elas o têm, quando o deixam, deixam mesmo.

Bad girls reconhecem gênios antes que as boas meninas o façam. Elas pegam os caras quentes primeiro porque não estão procurando por aquela bela estampa de aprovação popular. Em Amadeus, Soliari diz que Mozart é feio; a soprano (uma grande bad girl) replica, “Uma mulher de bom gosto só pensa em gênios”. Bad girls adoram carne com um astronômico QI. A maioria das bad girls não são tão libidinosas como boas meninas. Sexo é intriga, não aparência.

Garotas más amam como leoas e matam aqueles que se metem com seu filhote. Boas meninas roubam os namorados das garotas más, sim. Garotas más fodem os seus namorados, sim, mas nós nos sentimos meio putas por causa disso, mais ou menos.

Você está lá para cuidar do cachorro, fazer o churrasco. Estamos lá para voar para Nova Iorque ou Los Angeles ou Paris e nos trancar em um hotel quatro estrelas por três dias enquanto nosso namorado e nós fazemos coisas que vocês nunca saberão e eles nunca ousaram com vocês. Nos sentimos um pouco culpadas.

Garotas más são “feministas”, nós gostamos do nosso batom Nars escuro e nossas calcinhas LaPerla, mas odiamos sexismo, mesmo se fodemos nossos maridos/namorados. Nós entendemos os homens, nós os amamos, nós garotas más, hetero ou bi.

Não somos garotas psicóticas; essas são perversas e têm sua própria classe. Elas são normalmente consideradas boas meninas pela comunidade (Ex: Mary Lou Lord com sua voz fina e estridente. Como ela seria capaz de arrancar a cabeça de um gatinho e colocá-la no portão da frente de sua casa com uma seringa espetada no olho? Não, não aquela boa menina!).

Nós Bad girls ficamos obcecadas se você termina conosco de maneira inadequada, mas ao invés de recorrer às táticas das boas evil girls fazemos coisas como: fazer sua banda abrir para a nossa um dia, ficar com uma guitarra sua de vingança, fazer piadas geniais e ser geniais como minha bad girl favorita de Nova Iorque, Dame Darcy, deusa suprema.

Darby do Ben is Dead é uma bad girl. Ela ri de mim mas bad girls fazem isso umas às outras, infelizmente. Não deveríamos todas estar debochando da Juliana ou algo assim?

Cristina Martinez do Boss Hogg é uma bad girl. Ela tem um jeito porto-riquenho de bad girl. Cara, você nunca vai querer brigar com ela. Vejam, as bad girls ficam putas, como eu ou Cristina ou Inger Lorre – ela é uma estrela natural e a mais bad girl de todas nós. Nós não podemos cruzar a fronteira entre bad girl e evil girl, deixe isso para… pra quê citar nomes.

Alanis Morrisette ganhou um monte de Grammys e foi ao Grammy. Nenhuma bad girl iria ao Grammy. Não chute uma bad girl porque um dia você terá que voltar e rastejar por alguma coisa; cuidado, o inferno masculino não têm tanta fúria como uma bad girl chutada. As bad girls conseguem lidar com um pouco de infidelidade; boas meninas te deixarão na mesma hora.

Bad girls podem ser tão chiques como Jacquie O., que era uma bad girl, só não achava que isso fosse de nossa conta.

Minha irmã Srta. Barrymore é uma total bad girl. Vamos usar roupas estranhas no Oscar. É claro que bad girls vão ao Oscar – a não ser que tenham sido indicadas a algo.

Boas meninas estão sempre tendo seu saco puxado ou tendo que puxar sacos. Mas, meu amigo – que é um bom menino por fora, mas extremamente bad boy por dentro – me disse que há um estado intermediário, tipo se você vai ao Oscar, está se desviando de seu caminho para que puxem seu saco, isso é besteira.

Podemos ser umas vagabundas com a imprensa, mas também podemos ser completamente misteriosas. Todas as bad girls de Nova Iorque e Los Angeles dormiram umas com as outras só por causa disso.

Bad girls amam como mais ninguém. Bad girls engolem – é tããão grosseiro cuspir, mas não o faça na primeira vez. Não sei porque penso assim, acho que a parte “boa menina” da bad girl diz saber que você paga bem, então faça os vermes esperarem.

Se você é a única na batalha, sugiro o poder. Você precisa trabalhar duro para consegui-lo, e ninguém vai te ajudar. Vai ganhar muitas inimigas. É porque você vai acabar eventualmente brincando de mulher de um poderoso editor – que está vivo e por acaso gosta de voccê – num filme famoso e poderia ter sacaneado todas aquelas idiotas que trabalham nas revistas dele mas não o fez, porque BAD GIRLS NUNCA ABUSAM DO PODER uma vez que o tenham conseguido, exceto ocasionalmente por propósitos sexuais apenas. Bad girls não fingem ter orgasmos, ou estarão apenas traindo a si próprias.

Bad girls têm namorados bad boys mas na maioria das vezes namorados bons meninos, porque os anjinhos de rostinho lindo são verdadeiramente horríveis.

Bad girls às vezes se amedrontam e pedem ajuda, mas é para separar os homens dos fracotes. Se você não pode ser amiga dele, esqueça. Se ele não sabe como fazer você se calar, que se foda, não vale tanto a pena. Foda-se o joguinho dos telefonemas; outros joguinhos são mais divertidos. Sou uma perdedora no joguinho do telefone. Se quer ser uma femme fatale, vá em frente e nunca ligue de volta, atenda o telefone, etc. As boas mesmo nem entram no joguinho do telefone. É difícil de acreditar mas é verdade. Brincar de gato e rato é para Elizabeteanos e Vitorianos.

Bad girls são vulgares, mas nós temos potencial para a classe total. O resto é problema meu, não do New York Post.

Courtney Love does the math
Alguns trechos de um artigo escrito pela cantora Courtney Love, onde ela fornece uma explicação bem interessante do relacionamento dos artistas com a indústria musical, pirataria, mp3, napster e outros assuntos relacionados.

Hoje eu quero falar sobre pirataria e música. O que é pirataria? Pirataria é o ato de roubar o trabalho de um artista sem nenhuma intenção de pagar por ele. Eu não estou falando de softwares tipo Napster.

Eu estou falando dos contratos com as grandes gravadoras.

Eu quero começar com uma estória sobre bandas de rock e gravadoras, e fazer algumas contas baseadas no que os contratos estabelecem:

Esta estória é sobre uma banda que consegue um ótimo acordo de royalties de 20 por cento e um adiantamento de um milhão de dólares. (Nenhuma banda jamais conseguiu vinte por cento de royalties, mas vamos lá). Esta é a minha matemática “engraçada” baseada em alguma realidade e eu apenas quero qualificá-la dizendo que eu sou positiva em acreditar que é uma matemática melhor do que a aquela que Edgar Bronfman Jr (Presidente e CEO da Seagran, que é dona da Polygram), iria oferecer.

O que acontece com o milhão de dólares?

Eles gastam meio milhão para gravar seu album. Isto deixa a banda com U$ 500.000 dólares. Eles pagam U$ 100.000 ao seu gerente, uma comissão de 20%. Eles pagam U$ 25.000 ao seu advogado e gerente de negócios.

Ficam U$ 350.000 para os quatro membros da banda dividirem. Após pagarem U$ 170.000 em impostos, ficam U$ 180.000. O que resulta em U$ 45.000 por pessoa.

São U$ 45.000 para viver por um ano até que o disco seja lançado.

O disco é um grande sucesso e vende um milhão de cópias. (…)

Então, esta banda lança dois singles e faz dois vídeos. Os dois vídeos custam um milhão de dólares e 50 porcento dos custos de produção dos vídeos são deduzidos dos royalties da banda.

A banda recebe U$ 200.000 em apoio para o seu tour, dinheiro que deve ser inteiramente reembolsado.

A gravadora gasta U$ 300.000 promovendo o album em radios independentes. Você tem que pagar por esta promoção para que sua música toque nas rádios; promoção independente é um sistema onde as gravadoras usam intermediários de forma que elas podem fingir não saber que as estações de rádio — o sistema unificado de difusao — são pagas para tocar suas músicas.

Toda esta promoção independente é paga pela banda.

Como o adiantamento original de um milhão de dólares também tem que ser pago, a banda deve dois milhões para a gravadora.

Se todos os discos do total de um milhão são vendidos a preço cheio, sem descontos ou clube do disco, a banda ganha dois milhões em royalties, pois os seus 20% de royalties representam U$ 2 por disco.

Os dois milhões de dólares em royalties menos dois milhões em despesas que a banda tem que pagar resulta em …. zero!

Quanto ganhou a gravadora?

Eles conseguiram aproximadamente U$ 11 milhões.

O custo de fabricação dos CDs é de U$ 500.000 e eles adiantaram um milhão para a banda. Some-se a isto um milhão em custos dos vídeos, U$ 300.000 promovendo o disco nas rádios e U$ 200.000 para o tour da banda.

A empresa pagou também U$ 750.000 em royalties para publicação da música.

Eles gastaram U$ 2.2 milhões em marketing. Isto é em sua maior parte propaganda no varejo (…)

Some tudo e você verá que a gravadora gastou U$ 4.4 milhões de dólares.

Então o seu lucro é de U$ 5.6 milhões; a banda vai ter que arrumar emprego em uma loja de conveniência. E ainda mais:

As quatro maiores gravadoras patrocinam a RIAA. Estas empresas são ricas e obviameente bem representadas. Os artistas e músicos das gravadoras não possuem dinheiro para competir. Os 273.000 músicos dos EUA ganham em média U$ 30.000 por ano. Apenas 15% dos músicos da Federação Americana de músicas trabalham exclusivamente com música.

Mas a indústria de música é um negócio de U$ 40 bilhões de dólares anuais. Um terço desta renda vem dos EUA. A venda anual de fitas, CDs e video são maiores que o produto interno bruto de 80 países. Os americanos tem mais tocadores de CDs, radios e videocassetes do que banheiras.

Estórias e mais estórias são contadas a respeito dos artistas — alguns deles nos seus 60 ou 70 anos, alguns deles autores de sucessos enormes que todos nós apreciamos, usamos e cantamos — vivendo na pobreza total, sem ter nunca recebido nada. Sem ter acesso a um sindicato ou um plano básico de saúde. Artistas que geraram milhões de dólares para uma indústria morrem quebrados e esquecidos.

E eles não são atores ou participantes. Eles são os donos de direito, originadores e executores de suas composições originais.

Isto é pirataria. E ainda:

Foram baixadas pela internet, no último ano, um bilhão de músicas, mas as vendas subiram. Onde está a prova de que os downloads prejudicam os negócios? Os downloads estão criando mais demanda.

courtney

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Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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