Hole

Hole foi uma banda norte-americana de rock alternativo, formada em 1989 por Courtney Love e Eric Erlandson e encerrada oficialmente em 2002.

Banda nativa de Los Angeles, o Hole era liderado por Courtney Love, que decidiu montar sua própria banda aos 25 anos, depois de experiências frustradas como vocalista do Faith No More e do Sugar Baby Doll, banda montada em Portland no início da década de 1980 com Kat Bjelland, que viria a se tornar líder do Babes In Toyland, e Jennifer Finch, baixista do L7. O primeiro membro recrutado por Courtney foi o guitarrista Eric Erlandson, que trabalhava na Capitol Records e havia respondido a um anúncio que ela havia colocado em revistas de rock de Los Angeles, dizendo: “Quero formar uma banda. Minhas influências são Big Black, Sonic Youth e Fleetwood Mac.”

A primeira baixista da banda foi Lisa Roberts, vizinha de Courtney, que saiu da banda em pouco tempo e deu lugar a Jill Emery. A baterista era Caroline Rue. O nome da banda tem origens anacrônicas. Há quem diga que é pela conotação sexual de “buraco” (Courtney era stripper na época), outras fontes afirmam que vem de uma linha da tragédia grega “Medéia”, de Eurípedes, e ainda há relatos de que, na verdade, a origem é de uma frase da mãe de Courtney, a psicóloga Linda Carroll, que teria dito para sua filha que ela “não poderia carregar um BURACO dentro de si para sempre”.

Após três meses de ensaio, o Hole fez seu primeiro show em Hollywood e logo começou a tocar em bares e clubes por toda a área ao redor de Los Angeles. O primeiro single independente foi o da música “Retard Girl”, lançado pelo selo independente Sympathy For The Record em março de 1990, seguido de uma turnê nacional e um contrato com a gravadora Caroline Records. O primeiro disco da banda, Pretty On The Inside, foi lançado em setembro de 1991. Gravado em apenas quatro dias e produzido por Kim Gordon, baixista do Sonic Youth, e Don Fleming, da banda Gumball, o álbum apresentava um som punk pouco convencional, cheio de microfonias, gritos e letras selvagens.

Pretty On The Inside recebeu críticas positivas nos Estados Unidos e na Europa, chegando a estar presenta na lista dos 20 melhores discos da revista britânica Melody Maker. O single “Teenage Whore” foi escolhido o single da semana da revista Spin e entrou no top 20 da parada inglesa de singles independentes.

Em outubro de 1991, Courtney iniciou seu polêmico relacionamento com Kurt Cobain, líder do Nirvana, e, em novembro, o Hole iniciou uma turnê pela Europa. Nessa época, a vocalista já começava a compor material que viria a figurar no segundo disco da banda, como “Doll Parts” e “Violet”. No entanto, Courtney resolveu interromper provisoriamente as atividades da banda, priorizando sua relação com Cobain.

Após o casamento com Kurt em fevereiro de 1992, e o nascimento da filha do casal, Frances Bean Cobain, em agosto do mesmo ano, Courtney volta a se concentrar na sua banda. Caroline Rue havia sido despedida da banda depois de uma má performance em uma gravação, e Jill Emery decidiu deixar o Hole por livre e espontânea vontade. A dupla é substituída por Patty Schemel na bateria e, por um curto período, Leslie Hardy no baixo. Courtney e Eric já haviam convidado a baixista Kristen Pfaff para a formação. Na época, Pfaff não estava disposta a deixar sua banda em Minneapolis, Janitor Joe, mas voltaria atrás na sua decisão após alguns meses.

Devido ao casamento de Courtney com Kurt (que despontava para o estrelato com sua banda após o lançamento do disco Nevermind), ao comportamento ousado da cantora e à ligação do casal com heroína, exposto escandalosamente na revista Vanity Fair e que custou temporariamente a guarda da filha dos dois, o Hole acabou chamando a atenção da indústria fonográfica americana, que disputaram a tapa o contrato da banda. Após abordagens das gravadoras Def Jam (do produtor Rick Rubin) e Maverick (da cantora Madonna), o grupo assinou com a Geffen, gravadora do Nirvana, pela quantia de US$ 1 milhão.

No período entre as gravações e o lançamento do próximo disco da banda, Kurt Cobain afundava a passos largos. O marido de Courtney estava cada vez mais debilitado devido a dores estomacais crônicas e ao uso abusivo de heroína, além de uma progressiva depressão e uma estranha fixação por armas de fogo.

Em fevereiro de 1994, o álbum, oportunamente intitulado Live Through This, estava finalizado e com data de lançamento prevista para abril. Pouco antes do lançamento oficial, o álbum foi aclamado por diversos críticos de revistas musicais, como Spin e Rolling Stone. Caracterizava-se também por uma mudança nos rumos musicais do Hole: saem as microfonias e as canções desordenadas, e entram músicas bem estruturadas, com uma veia pop latente (sem deixar de ser punk), e a mistura de momentos de pura distorção e gritos com cantos suaves e violões. Na mesma época, o Nirvana fazia uma turnê européia e Courtney foi acompanhar o marido em Roma, onde Kurt teve uma overdose de champagne com Rohypnol, um tranqüilizante considerado posteriormente “a droga do estupro”, já que dopava a pessoa de tal forma que passou a ser utilizado por maníacos sexuais nas suas vítimas. Na chegada da ambulância ao hospital, Courtney foi acusada de agredir um paparazzi.

De volta a Seattle, o estado de saúde de Kurt continuava a se deteriorar, e Courtney temia por sua vida. Em março de 1994, o casal se internou em centros distintos para tratamento de usuários de drogas em Los Angeles. Alguns dias depois, Kurt Cobain fugiu de sua clínica e, no dia 8 de abril, foi encontrado morto com um tiro na cabeça, num sótão acima da garagem da casa de ambos em Seattle. Em uma sincronia infeliz, Live Through This foi lançado duas semanas após a tragédia.

A turnê que a banda faria pelos Estados Unidos foi cancelada por tempo indeterminado, devido ao estado emocional da cantora. Contudo, em 13 de junho de 1994, o Hole faz uma reunião e seus integrantes concordam em retomar as atividades. No meio tempo, Kristen Pfaff resolve voltar para Minneapolis e morre no dia 15 de junho, por overdose de heroína. Quem encontra o corpo da baixista é seu companheiro de banda e então namorado, Eric Erlandson.

Após a morte de Kristen, os três integrantes restantes passam a selecionar uma baixista, e acabam decidindo pela jovem canadense Melissa Auf Der Maur, que tocava numa banda chamada Tinker e havia sido indicada por Billy Corgan, líder dos Smashing Pumpkins e ex-amante de Courtney. O Hole retomou sua carreira em agosto, inaugurando sua turnê com um show no Reading Festival, na Inglaterra. Em setembro, a banda abriu alguns shows para o grupo de rock industrial Nine Inch Nails, que estava na turnê do álbum The Downward Spiral. Courtney acaba se envolvendo com o vocalista da banda, Trent Reznor, e com o fim do relacionamento, ambos passam a trocar farpas em público, inclusive contando detalhes íntimos nada honrosos.

No fim de 1994, Courtney faz a seleção da trilha sonora do filme “Tank Girl”, e inclui a faixa “Drown Soda”, de sua banda, entre canções de artistas como Veruca Salt e Björk. Em janeiro de 1995, durante a passagem do grupo pela Austrália, Courtney é presa num vôo de Brisbane para Melbourne, por agredir uma comissária de bordo.

Ainda em 1995, Courtney participou de alguns filmes, incluindo pequenos papéis em “Feeling Minnesota” e “Basquiat”. Durante a excursão do Hole pela Europa e, posteriormente, nos Estados Unidos, houve casos em que a vocalista abandonou o show no meio por ofensas do público relativas a seu suposto envolvimento na morte de Kurt Cobain. Quando participou do festival Lollapalooza, Courtney agrediu Kathleen Hanna (vocalista do Bikini Kill) e respondeu mais um processo na justiça, sendo considerada culpada e sentenciada a um programa de controle da raiva. Pouco depois, a cantora co-protagonizou o bem-sucedido filme “The People Vs. Larry Flynt”, na pele de Althea Flynt, esposa do dono da revista pornográfica Hustler. Sua atuação rendeu críticas favoráveis e chegou a ganhar o Globo de Ouro pela categoria Melhor Atriz. Em setembro, é lançado o EP chamado Ask For It, contendo músicas antigas e apresentações na BBC de Londres. No fim do ano, a banda se apresenta no MTV Video Music Awards, grava seu MTV Unplugged (que apenas foi televisionado e tornou-se requisitado bootleg) e o álbum Live Through This atinge um milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos.

A partir de dezembro de 1995, em Nova Orleans, a banda passa a se reunir para compor material para o próximo disco, processo que durou até 1997, quando a banda recebe o auxílio de Billy Corgan em algumas das novas composições. Durante o processo, mais uma coletânea de b-sides e músicas raras é lançada, My Body The Hand Grenade, além da primeira gravação profissional da banda em 1990, The First Session. Em 1998, Courtney participa de mais um filme, “200 Cigarettes”, e o terceiro disco do Hole, Celebrity Skin, é lançado no mês de setembro, após ser adiado por meses. O som do álbum é voltado ao pop, um pouco mais trabalhado em oposição as melodias furiosas e cruas de Live Through This. O lançamento do álbum é cercado de controvérsias sobre a presença da baterista Patty Schemel nos créditos do álbum e sua ausência nas fotos publicitárias, entrevistas e nos vídeos para as músicas “Celebrity Skin”, “Malibu” e “Awful”. Alguns meses mais tarde foi confirmado que Patty Schemel oficialmente estava fora da banda, embora as razões não tenham sido especificadas.

Celebrity Skin foi bem recebido por público e crítica e, assim como Live Through This, também alcançou a marca de 1 milhão de cópias nos EUA. O Hole fez uma turnê por Austrália e Nova Zelândia em 1999, contando com uma nova baterista, Samantha Maloney, e participou do festival Big Day Out, no qual Courtney tocou com os seios para fora da blusa. Em fevereiro a banda inicia turnê pelos Estados Unidos ao lado de Marilyn Manson, mas acaba saíndo da turnê alguns meses depois, alegando “diferenças de produção”.

No fim de 1999, Courtney Love participa do filme “Man On The Moon”, ao lado de Jim Carrey, e a banda anuncia que já está começando a compor material para o novo álbum sem a presença da baixista Melissa Auf Der Maur, que deixa a banda para ingressar no Smashing Pumpkins.

Um ano depois, o futuro do Hole tornou-se incerto, quando, descontente com o tratamento recebido pela Geffen após a fusão com a Universal, a banda decide romper o contrato com a gravadora. O resultado foi uma batalha jurídica que perdurou até 2001, dando ganho de causa para a banda. O contrato do Hole com a Geffen previa o lançamento de mais cinco álbuns. O argumento de Courtney era que uma lei do Estado da Califórnia garantia a qualquer trabalhador o direito de romper um contrato após um prazo de sete anos (o Hole havia assinado com a Geffen em 1992). Estimulada pelo processo, a cantora partiu para uma verdadeira cruzada pelos direitos dos artistas, organizando palestras e defendendo a idéia em discursos e entrevistas. O Hole também disponibilizou várias MP3s de material raro gratuitamente em seu website.

Com a impossibilidade de seguir adiante com o Hole, Courtney partiu para outros projetos. Em 2001, anunciou a formação de uma nova banda de punk rock, nomeada Bastard. Segundo Courtney, o som do Bastard seria uma mistura de Led Zeppelin e AC/DC. Definida a formação, — Louise Post (Veruca Salt) na guitarra, a ex-baixista do Rockit Girl, Gina Crosley, e Patty Schemel (velha companheira de Courtney no Hole) na bateria — a banda começou a ensaiar para um futuro álbum a ser lançado pela gravadora Epitaph. Apenas alguns ensaios o Bastard veio abaixo. Discussões internas levaram Post e Crosley a desistirem do projeto.

Em 2004, Courtney lançou seu primeiro disco solo, America’s Sweetheart, que conta com a participação de Patty Schemel em grande parte das músicas; e está em estúdio gravando seu próximo trabalho com Linda Perry e Billy Corgan. Eric Erlandson atualmente é guitarrista da banda White Flag. Melissa Auf der Maur está em carreira solo; lançou um disco em 2004, com participações de Erlandson e Josh Homme, da banda Queens of The Stone Age, e está em processo de composição do próximo. Patty Schemel foi baterista do Juliette & The Licks, banda liderada pela atriz Juliette Lewis, por um curto período. Samantha Maloney atualmente toca no Eagles of Death Metal, após integrar o Mötley Crüe, o Scarling e o projeto Desert Sessions, também liderado por Josh Homme. Jill Emery, após tocar na bem-sucedida banda Mazzy Star, tornou-se artista plástica.

  • Courtney Love – vocal e guitarra (1989-2002)
  • Eric Erlandson – guitarra (1989-1992)
  • Lisa Roberts – baixo (1989)
  • Jill Emery – baixo (1989-1992)
  • Leslie Hardy – baixo (1992-1993)
  • Kristen Pfaff – baixo (1993-1994)
  • Melissa Auf Der Maur – baixo (1994-1999)
  • Caroline Rue – bateria (1989-1992)
  • Patty Schemel – bateria (1993-1998)
  • Samantha Maloney – bateria (1998-2002)

Albuns?

  • Pretty On The Inside (1991)
  • Live Through This (1994) (disco de platina)
  • Ask for It (EP, 1995)
  • My Body, the Hand Grenade (1997)
  • The First Session (EP, 1997)
  • Celebrity Skin (1998) (disco de platina)

*Melissa Gaboriau Auf der Maur (Montreal, 17 de março de 1972) é uma musicista canadense de rock alternativo. Sua carreira inclui participações como baixista nas bandas Hole e posteriormente The Smashing Pumpkins. Melissa também é fotógrafa experiente.

Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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