Sonic Youth

Sonic Youth é uma banda de rock alternativo formada em Nova Iorque em 1981. O Sonic Youth tem um estilo que mistura rock alternativo, noise rock, avant grade, post punk e entre outros. Ícone da música e da cultura alternativa americana, seu estilo é considerado bastante peculiar e criativo, fundado em experimentações e melodia, com influências do punk rock, hardcore, noise e underground em geral.

O Sonic Youth pode ser considerado como um fenômeno musical, uma vez que o sucesso e o reconhecimento que a banda possui é bastante improvável entre grupos que não tem compromisso com padrões musicais que atualmente imperam no mercado, e muito menos com a postura mainstream que grande parte dos grupos de sucesso comercial ostentam hoje em dia. Muito pelo contrário. E talvez seja por essa aversão à padrões e convenções reinantes, pela honestidade artística e coragem de fazer música pela música sem medo de experimentar, e por fim, pela atitude “do-it-yourself” que a banda sempre pregou, talvez sejam por esses motivos que o Sonic Youth possui uma legião fiel de fãs e reconhecimento por parte da mídia, tendo se tornado assim um ícone da música e cultura alternativa americana dos anos 80 e 90.

A história da banda inicia-se no final da década de 70, onde os movimentos undergrounds de Nova York proliferavam-se e chamavam a atenção de muitos jovens artistas e músicos. Entre esses estavam Lee Ranaldo e Thurston Moore, que se mudaram para a Big Apple interessados justamente em algumas manifestações musicais que rolavam por lá, como a “No Wave” e o próprio punk rock. Juntos, eles tocaram na “guitar-opera” de Glenn Branca, que era um músico que organizava apresentações onde haviam sempre muitas guitarras, chegando as vezes a terem seis delas tocando ao mesmo tempo. Tanto Ranaldo como Moore já haviam participado de pequenas bandas alternativas anteriormente (a última de Ranaldo foi o The Pluks e a de Moore foi o The Coachmen). Durante o início da década de 80, Moore estava namorando com a baixista Kim Gordon, que também era muito interessada em rock alternativo e também já havia participado de alguns grupos, como CKM. Assim, não demorou para que Moore e Gordon resolvessem formar uma nova banda, influenciados pelo cenário underground em que viviam e entusiasmados com os resultados que Glenn Branca alcançava com sua “guitar-opera”. No início de 1981, Moore volta a encontrar com Lee Ranaldo em um evento chamado Noise Festival, e lá o convida para ingressar na banda que ele e sua namorada estavam montando. Ranaldo aceita de imediato e com a entrada do baterista Richard Edson, nasce o Sonic Youth.

No verão de 1981, a banda começa a participar de vários festivais no circuito alternativo local, contando com a tecladista Ann DeMarinus. Ann não fica muito tempo, e não chega nem a participar das gravações do primeiro trabalho da banda, um EP auto-intitulado lançado em 1982. O disco saiu pela gravadora de Glenn Branca, a Neutral Records, e é uma pequena amostra do que viria a se tornar o som característico do Sonic Youth: algo bastante alternativo, com bem dosadas porções de experimentalismo e melodia.

No início de 1983, o baterista Richard Edson deixa a banda para seguir a carreira de artista de cinema, chegando inclusive a participar de algumas produções americanas de sucesso como “Stranger Than Paradise” (de Jim Jarmush), “Do The Right Thing” (de Spike Lee), “Platoon” (de Oliver Stone) e “Good Morning Vietnam” (de Barry Levinson). Para o seu lugar foi chamado Bob Bert, e é com esse line-up que o Sonic Youth grava seu primeiro LP, chamado “Confusion is Sex”, ainda em 1983. A banda continua com um som bastante alternativo e livre de qualquer rótulo muito específico, mas nota-se uma influência hardcore nas músicas, com riffs e bases de guitarras mais pesadas e agressivas. Inclusive, encontramos no disco um cover de uma das bandas seminais do punk rock, o Stooges: “I Wanna be Your Dog”. E é assim, agregando influências do punk rock e do underground em geral, aliadas as experimentações e sonoridades alternativas que o Sonic Youth começa a delinear seu estilo bastante peculiar e criativo. As letras escritas por Moore e Gordon falam de morte, caos urbano, anarquia, relacionamentos, preconceitos, etc. Ainda em 1983, logo depois de Moore e Gordon se casarem, a banda excursiona pela Europa e por lá, através do selo alemão Zensor, lançam o EP “Kill Yr Idols”.

Durante 1984, enquanto a banda continuava a tocar em pequenos shows e apresentações, Moore se esforçava para achar algum selo com melhor distribuição e maior alcance que aceitasse trabalhar com o Sonic Youth.

A banda estava aos poucos ganhando notoriedade e nesse ano lança pela Ecstatic Peace um cassete chamado “Sonic Death: Sonic Youth Live”, com músicas tiradas de shows. Em 1985 o Sonic Youth assina com a Blast First Records, um selo criado por Paul Smith, um dos donos da Doublevision Records.

Esta última não havia gostado muito das demos e dos trabalhos do Sonic Youth e por isso não os contratou, mas Smith viu potencial em Moore e cia, e criou a Blast First justamente para lançar os discos do grupo. O primeiro trabalho pelo novo selo sai ainda em 1985, é o disco “Bad Moon Rising”. A banda continuava incorporando em seu som influências de hardcore e punk rock, juntamente com as já características harmonias e arranjos não convencionais. Ainda assim, a banda não soava totalmente inacessível e direcionada apenas para um público muito restrito: as estruturas musicais e melodias eram mais acessíveis e elaboradas. Essa bem entrosada mistura de tendências fazia do Sonic Youth uma banda muito promissora, não apenas no circuito alternativo, mas com potencial de atingir também um público maior e menos específico.

“Bad Moon Rising” fez bastante sucesso, e a banda acaba recebendo várias propostas de selos que queriam ter a banda em seu cast. O Sonic Youth acaba assinando com a SST, a mesma que bancava algumas bandas já consagradas do cenário alternativo como o Husker Du, o Minutemen e o Black Flag. O primeiro disco pela SST é lançado em 1986, e se chama “Evol”, já contando em sua formação com aquele que viria a ser seu baterista definitivo, Steve Shelley. Nele, as influências punk mais agressivas foram deixadas um pouco de lado, e a banda utilizou melodias e arranjos mais convencionais, mas sem deixar de lado as experimentações e distorções que já eram a marca registrada do Sonic Youth. O disco tem uma distribuição bem melhor que os trabalhos anteriores do grupo, e a banda deixa de ser apenas mais um nome promissor vindo do underground. Para fechar o ano de 1986, a banda grava a trilha sonora do filme “Made in USA”.

O amadurecimento musical e o reconhecimento por parte da mídia continua com o disco “Sister”, lançado em 1987. O Sonic Youth vai ganhando aos poucos o rótulo de grande nome do cenário underground americano, e começa a ter mais exposição na mídia. A revista Rolling Stone se torna uma das grandes fãs da banda, publicando reviews bastante positivos dos seus álbuns. Mas o Sonic Youth não se deixa levar por tudo isso, e continua com a mesma postura diante do sucesso inesperado. Sem abandonar as sonoridades alternativas e experimentações em geral, a banda segue fazendo shows incendiários pelos EUA e em outros países, e em 1988 lança seu 5º álbum de estúdio, o aclamado “Daydream Nation”. Para muitos é o melhor disco do Sonic Youth, onde a banda encontrou o equilíbrio perfeito entre o experimentalismo e a melodia, entre as distorções de guitarra com as harmonias marcantes. Canções como “Silver Rocket” e “Teenage Riot” fizeram a banda ser definitivamente reconhecida como uma das melhores do cenário alternativo americano. Obviamente não era um sucesso radiofônico e comercial estrondoso, desses que costumam aparecer frenquentemente nos EUA (para depois sumir completamente), mas dado o estilo e a postura da banda, o sucesso era relativamente significativo. Juntamente com o EP “Master Dick”, o disco “Daydream Nation” foi lançado pela Enigma Records.

Ainda em 1988, o Sonic Youth participa de um projeto paralelo chamado Ciccone Youth (que conta com o baixista Mike Watt, ex-Minutemen e Firehose) e lançam o disco “The Whitey Album”, uma espécie de álbum conceitual-irônico acerca de toda uma cutura musical, que vai do Pop (covers de Madonna e Robert Plamer), à música contemporânea erudita (referenciam a composição 4:22 de John Cage, através da faixa Silence), passando pelas influências experimentais do Sonic Youth, que vem do Krautrock alemão (Neu, Can).

Em 1990, depois de trocar de selo novamente (a nova casa era a DGC Records, propriedade de David Geffen), a banda lança o disco “Goo”, que confirmava o bom momento do grupo. O álbum, que a banda produziu com total liberdade de criação (garantida pelo próprio David Geffen), também faz bastante sucesso e teve uma larga distribuição ao redor do mundo, levando o nome do Sonic Youth à lugares que nunca antes tinham ouvido falar da banda. Para a divulgação de “Goo”, a banda participa de uma turnê ao lado de Neil Young, que estava divulgando seu disco último disco chamado “Ragged Glory”. Em outros shows, o Sonic Youth aproveitava para ajudar bandas iniciantes do underground americano, como por exemplo, os ainda desconhecidos Mudhoney, Pavement e Nirvana (que seria contratado por David Geffen no ano seguinte, por indicação de Moore).

No início de 1992, a banda volta aos estúdios para a gravação de mais um disco, dessa vez contando com a ajuda de um renomado produtor, Butch Vig. O resultado é “Dirty”, e com canções como “Sugar Kane” e a politizada “Youth Against Fascim”, o Sonic Youth continua a ser bastante celebrado e ter seu nome cada vez mais admirado, contando inclusive com exibição exaustiva de seus clipes pela MTV. A identidade musical do grupo continuam as mesmas, ou seja, excelentes canções com melodias criativas em perfeita convivência com microfonias, distorções e experimentações em geral.

O Sonic Youth volta a a trabalhar com Butch Vig no disco “Experimental Jet Set, Trash and No Star”, lançado em 1994. O álbum chega a alcançar a 34ª posição na lista de mais vendidos nos EUA, e a 10ª posição na Inglaterra. Mas o trabalho acaba não tendo a mesma aceitação de “Daydream Nation” e “Dirty”, e logo despenca das listas citadas, não chegando a fazer o relativo sucesso comercial dos últimos álbuns. E isso não poderia ser muito diferente, uma vez que nesse novo trabalho, a banda abusa nas experimentações e arranjos pouco convencionais, deixando um pouco de lado a fórmula equilibrada e de bastante sucesso dos discos anteriores. Ainda em 1994, o grupo resolve tirar umas férias por causa da gravidez de Gordon e enquanto esperava o nascimento de seu primeiro filho, Moore grava um disco solo que é lançado em 1995 pela própria DGC, sob o título de “Psychic Hearts”.

De volta aos palcos em 1995, a banda é a headliner do festival alternativo Lollapalooza, e logo depois lança mais um disco de estúdio, “Washing Machine”. O disco recebe boas críticas por parte da imprensa e faz mais sucesso comercial do que seu antecessor.

Em 1997, o Sonic Youth inaugura em Nova York um selo próprio chamado Smells Like Records (ou SYR). Através desse selo, a banda encontra um canal mais apropriado para lançar discos unicamente experimentais e instrumentais, sem se preocupar com a aceitação deles por parte do público e da mídia, coisa que eles não podiam fazer na Geffen ou em qualquer outro selo do mundo, por motivos óbvios. No mesmo ano a banda compõe algumas músicas para o filme independente SubUrbia, de Richard Linklater.

Ainda em 1997, a banda começa a produzir um novo disco para a Geffen, que sai no final do ano sob o título “A Thousand Leaves”. As guitarras de Moore e Lee e os vocais de Gordon continuam bastante criativos e espontâneos, e junto a isso a banda volta a criar boas melodias e arranjos mais acessíveis, fazendo o disco ser um novo sucesso comercial e consolidando mais ainda o estilo Sonic Youth de fazer rock alternativo.

Na metade de 1999 o grupo volta aos estúdios ao lado do produtor Jim O’Rourke para a gravação de um novo trabalho a ser lançado pela Geffen. Apenas em fevereiro de 2000 o disco fica pronto, sendo lançado então em maio, sob o título “NYC Ghosts and Flowers”. O disco também possui o equilíbrio alcançado pela banda em “A Thousand Leaves”, com boas melodias convivendo harmoniosamente com distorções e experimentações em geral. Vale também destacar a arte gráfica do encarte, que tem fotos de Nova Yorque tiradas por Lee Ranaldo, desenhos feitos por Kim Gordon e ilustrações do poeta beat William S. Burroughs. Parte do público e crítica consideram o disco um pouco irregular, mas sem dúvida trata-se de mais uma obra com o selo da banda.

Com Jim O’Rourke oficialmente integrado a banda, o Sonic Youth lança em 2002 “Murray Street”, que tem sido considerado a volta do Sonic Youth à sonoridade que consagrou a banda. O’Rourke, que se tornou o terceiro guitarrista do grupo, e Thurston Moore admitiram em entrevistas que “Murray Street” reflete influências de rock mais clássico no som do grupo. O resultado são melodias mais convencionais em comparação com as do disco anterior, sem abrir mão do estilo Sonic Youth, o que conquistou a banda os elogios mais entusiasmados da crítica desde “Dirty”, de 1992.

Esse álbum possui alguns traços que fazem lembrar da tragédia ocorrida em Nova York no dia 11 de setembro de 2001, com os atentados terroristas que derrubaram o World Trade Center. A banda teve que suspender a gravação do álbum devido este acontecimento, ocorrido a poucas quadras de seu estúdio. Em 2002 a banda ainda assina a trilha sonora original (com 8 músicas) do filme Demonlover, de Olivier Assayas.

Em 2004, a banda lança “Sonic Nurse”, que fecha uma trilogia iniciada com os dois álbuns anteriores. O disco é bem recebido pelos fãs e pela crítica, funcionando quase que como uma continuação natural de “Murray Street”.

No dia 13 de Junho de 2006 foi lançado o disco “Rather Ripped”, considerado por muitos uma nova mudança no rumo sonoro da banda. Com a saída de Jim O’Rourke da banda no final de 2005, as músicas voltam a ganhar uma dinâmica mais pop, com canções mais curtas e concisas, sem grandes “viagens” instrumentais, que vinham se tornando a marca da banda em seus últimos trabalhos.

Em 2006 é também lançada uma compilação de raridades e lados b, chamada The Destroyed Room: B-sides and Rarities. Essa coletânea se aproxima da sonoridade dos discos lançados pela banda na SYR, com músicas instrumentais e experimentais. O disco ainda contem a versão sem cortes de Diamond Sea, com aproximadamente 25 minutos.

A banda em 2006 conta com um quinto membro, Mark Ibold (ex Pavement), que participa da turnê européia de Rather Ripped como segundo baixista.

Hoje:

  • Thurston Moore – (Guitarra e Vocal)
  • Lee Ranaldo – (Guitarra e Vocal)
  • Kim Gordon – (Baixo, Guitarra e Vocal)
  • Steve Shelley – (bateria)
  • Mark Ibold – (Baixo em turnê)

Anteriores:

  • Jim O’Rourke – (Baixo, Guitarra e Sintetizador)
  • Ann DeMarinus – (Teclado)
  • Richard Edson – (Bateria)
  • Bob Bert – (Bateria)
  • Jim Sclavunos – (Bateria)

Albuns

 

  • Sonic Youth (1982)
  • Confusion Is Sex (1983)
  • Sonic Death (1984)
  • Bad Moon Rising (1985)
  • EVOL (1986)
  • Sister (1987)
  • Daydream Nation (1988)
  • The Whitey Album (1989) (como Ciccone Youth)
  • Goo (1990)
  • Dirty (1992)
  • Experimental Jet Set, Trash and No Star (1994)
  • Screaming Fields of Sonic Love (1995) (compilação da “era pré-Geffen”)
  • Made in USA (1995) (Trilha sonora do filme homônimo)
  • Washing Machine (1995)
  • A Thousand Leaves (1998)
  • SYR4: Goodbye 20th Century (1999)
  • NYC Ghosts & Flowers (2000)
  • Murray Street (2002)
  • Sonic Nurse (2004)
  • Rather Ripped (2006)
  • The Destroyed Room: B-sides and Rarities (2006) (compilação de lados b e raridades)

Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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