A volta dos anos 90

Do grunge ao hardcore do Prodigy, os anos 90 prometem revival

15.08.08 | 06:31 pm

Que tal se o topetão do Vanilla Ice e a barbichinha de bode do grunge virassem moda na balada? Qual dos dois você iria adotar? E se o Chupacabra colasse no pedaço, reivindicando a fama que um dia lhe pertenceu? Será que ele seria páreo para o ET de Varginha? Essas e outras questões permanecem sem resposta, mas muitos têm apostado por aí num tal de revival dos anos 90
Eduardo Ribeiro

Sempre pareceu fazer sentido a teoria infundada de que, a cada dez anos, a cultura pop e a moda retomam a estética que marcou uma década anterior. Assim foi com os anos 50, 60 e 70. E tem sido com os 80 ainda nos dias que correm. Desde que o termo new rave surgiu, retomando parte dos ideais e o colorido do Madchester, fala-se no revival dos anos 90.

Uma influência direta e forte dos anos 90 talvez nunca encontre realmente o espaço e a mitologia que os berrantes 80 conquistaram, entretanto, nessa salada de referências que virou o início do século, algumas coisas despontam.

Os 90 tão na moda
Uma conclusão possível é que, passados alguns anos, deixou de ser estranho voltar a ouvir Vanilla Ice, MC Hammer, usar camisetão ou calça de cintura alta. Na moda, três modelos ícones dos 90 estão de volta arrasando em campanhas de outono-inverno. Linda Evangelista e Amber Valetta foram ambas clicadas por Steven Meisel. Linda para a Prada e Amber para a Dsquared. Christy Turlington é a estrela da Escada, enquanto Claudia Schiffer é a modelo da Chanel e Salvatore Ferragamo.

Kate Moss (foto) aparece de rosto e corpo na publicidade da marca da amiga Stella McCartney, e está de volta na campanha da Donna Karan. Há ainda o retorno das supermodelos Naomi Champbell, pela Yves Saint Laurent, e Kirsten Owen e Stella Tennant, contratadas de Marc Jacobs.

Camisa de flanela
Não é só a aparência das beldades acima citadas que estão de volta com tudo. Bandas protagonistas do grunge sacodem a poeira da flanela e plugam o aparato na tomada. O Stone Temple Pilots, inclusive, está com turnê agendada. Eles tocam dia 10 de outubro na Argentina e têm data a confirmar no Brasil.

Outra boa desculpa para nostálgicos é o show do Vaselines no Brasil, que vem para o Goiânia Noise Festival e parece que também para São Paulo. A banda de Eugene Kelly, uma das preferidas de Kurt Cobain, voltou à ativa neste ano.

Dinossauros da rave e a geração MySpace
Grupos-referência dos 90 lançaram álbuns recentemente, como Happy Mondays e Primal Scream, enquanto o Joy Division parece mais influente do que nunca. Será que tudo isso é só coincidência, ou os ventos apontam mesmo para um revival da era do videoclipe? O produtor cultural Marcos Boffa, organizador do Eletronica Festival, acha que a gente está vivendo de revivals já faz um tempo. E que cada vez eles estão mais próximos do fim da década seguinte.

“Mas agora com essa geração MySpace, iPod e tal, as tendências estão muito fragmentadas. Os anos 80 são perenes porque foi uma estética muito abrangente, enquanto que os 90 foram muito na guitarra, no rock. Nos 80 couberam desde um synth-pop, que dá margem pra releitura de eletrônico e de rock, até milhares de outras coisas, ao passo que os 90 eram mais guitarrada mesmo”, disse.

Para a editora da DJ Mag Erika Brandão, “todas as décadas já foram revisitadas, agora é a vez dos 90”, e dá como exemplo “as cores da new wave”. E, se aquele tempo ainda não retornou com força, “está pra acontecer, porque está ficando ‘bacana’ de novo curtir coisas da época”. A estética dos 80 está longe de sumir, mas o ciclo natural é esse e está próxima uma retomada, teoriza Erika.

“É que nos anos 90 a coisa foi muito bagunçada, naquele período a cada ano você já tinha um revival diferente dos 80 e dos 70. É uma identidade menos determinada, foi quando muitas linguagens começaram a rolar ao mesmo tempo, e, falando de música, foi quando começou o breakbeat, o Hell’s em São Paulo, foi a década do techno, do eletrônico para o Brasil”.

O Big Beat do Chemical Brothers, Fatboy Slim, Prodigy e Christal Method são coisas que funcionariam muito bem num set atual, na opinião da jornalista. Ela conta que “até mesmo no ano passado, no Sónar, rolou um set do Alter8 só de rave que foi incrível. Hoje em dia, se um DJ tocar isso vai pegar super-bem, vão dizer que o cara tá moderno”. E completa: “Tanto que no Sónar tinha um monte de coisas acontecendo e o que eu mais queria era ficar lá dançando as coisas que eu escutava nas antigas”.

Sério demais
“Os anos 90 ainda não passaram pra muitas pessoas”, é o que afirma o repórter do site rraurl e membro do grupo dance-rock NRK, Raphael Caffarena. Ainda que sua banda tenha aparecido fazendo piada com o New Kids on The Block, ele não gosta muito dos anos 90.

“Acho que foi a época em que a música se levou a sério demais. Fora que foi a consolidação do ‘não me vendo à mídia’, mas no final todo mundo gravou seu acústico MTV. Foi quando a música soou mais torturada e menos dançante – isso no rock”. De toda forma, ele ressalta que “com certeza tem público e bandas novas com cara de dez anos atrás. Eu conheço um monte de gente que só ouve grunge, shoegaze e tal.”

Já o DJ e jornalista Camilo Rocha, que reportou em primeira mão as movimentações em questão, acredita no revival de todas as épocas neste liquidificador pós-pós-tudo em que vivemos. Especialmente sobre os anos 90, ele acha que tem muita coisa sendo revisitada. Do hardcore do Prodigy e do Altern8 ao noise-pop do My Bloody Valentine.

“Essas coisas agrupadas como ‘new rave’ têm muita referência disso. Mas, eu ainda acho que a influência dos 80 segue forte. Quanto ao rock não sei muito, mas já ouvi falar de revival de grunge e brit-pop”. Que o grunge foi uma revolução para o rock, ninguém duvida. Mas Camilo chama atenção para o fato de que o dum’n’bass também é grande influência para vários produtores tipo Simian Mobile Disco, Riton, Switch e Kissy Sell Out. Em suma, alguns dos nomes mais interessantes da atualidade.

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Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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