Sepultura

Sepultura

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Sepultura é a banda brasileira mais foda de metal, na estrada desde 1984 e criada pelos irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera em Belo Horizonte, Minas Gerais. É considerada a banda brasileira de maior repercussão no mundo. O Sepultura possui influências diversificadas, que vai desde o black metal e death metal, passando pelo thrash metal, até inspirações externas ao metal, como hardcore, música tribal africana e japonesa, música indígena, entre outros diversos estilos musicais.

O nome Sepultura (em inglês, grave) foi escolhido quando Max Cavalera traduzia uma canção do Motörhead chamada “Dancing on Your Grave”. Originalmente tinha a formação de Paulo Jr. (baixista), Igor Cavalera (baterista), Max Cavalera (somente guitarrista) e Wagner Lamounier (guitarrista e vocalista). Em 1985, sai Wagner, que formaria o Sarcófago, e Max assume os vocais, Jairo Guedez entra como segundo guitarrista. No ano seguinte sai Jairo e, em 1987, entra na banda Andreas Kisser em seu lugar, estabelecendo a formação clássica que duraria dez anos. Agora em sua formação atual, o vocal é feito pelo americano Derrick Green e a bateria por Eloy Casagrande, ficando Andreas como guitarrista único.

Sepultura já vendeu aproximadamente 20 milhões de unidades mundialmente, ganhando múltiplos discos de ouro e platina em todo o mundo, inclusive em países como França, Austrália, Indonésia, Estados Unidos, e sua terra natal Brasil.

Começo de carreira (1983-1991)

Foi em Belo Horizonte, no ano de 1983 que a história do Sepultura começou[5]. Mais precisamente quando os irmãos Cavalera Max e Igor decidiram chamar seus amigos de colégio Paulo Jr. e Jairo Guedez para montar uma banda[16]. Um ano depois, num festival de bandas em Belo Horizonte, a Cogumelo Records contrata a banda, após o dono da gravadora ter assistido ao show do Sepultura, e o grupo decide fazer um disco. O nome é Bestial Devastation, que foi gravado em apenas dois dias (dividido com a banda Overdose), mas só seria lançado em 1985. A banda, então, faz uma turnê brasileira para promover o primeiro álbum. Já em 1986, é gravado Morbid Visions, ainda pela Cogumelo Records e a banda sai em turnê novamente. Pouco depois, a gravadora relançaria Bestial Devastation e Morbid Visions em um só LP. Ainda no mesmo ano, o guitarrista Jairo sai da banda, e Andreas Kisser, que já havia feito algumas jams com o grupo, junta-se a eles. Ainda em 86, o Sepultura processou a gravadora Shark por ter lançado álbuns do Sepultura fora do Brasil.

No ano seguinte, depois de escrito o álbum, sai Schizophrenia, que foi o primeiro com Andreas na guitarra, e o último com a produção da gravadora Cogumelo. Foi com este álbum que a banda disparou, e vendeu cerca de 10 mil cópias nas primeiras semanas. A gravadora New Renaissance lançou o disco nos Estados Unidos. O furor provocado pelo Schizophrenia fez com que houvesse um lançamento pirata do disco por uma gravadora europeia, que chegou à marca de 30 mil cópias vendidas, porém sem a banda poder usufruir dos direitos autorais. Em 1989, o Sepultura assinou com a Roadrunner Records, conseguindo um contrato de sete anos. Como era o que a banda precisava, lançaram o novo álbum pela nova gravadora, sendo o terceiro lançamento do grupo, Beneath the Remains. Este foi gravado em nove dias e produzido pelo produtor americano Scott Burns. Foi o álbum que provou que o Sepultura podia gerar vendas milionárias, e até hoje já vendeu mais de 800.000 cópias mundo afora.

Após o lançamento, o disco acabou sendo comparado com Reign in Blood, clássico do Slayer. E, pela primeira vez, o Sepultura sai em turnê fora do Brasil, tocando junto dos alemães do Sodom na Áustria, Estados Unidos e México. Essa turnê foi marcada pelos conflitos constantes entre os membros das duas bandas. Em 1990, a banda toca em vários shows, incluindo o Dynamo Open Air Festival, com cerca de 26 mil pagantes, e conhecem Gloria Bujnowski, empresária do Sacred Reich. O grupo decide tê-la também como empresária. Depois das apresentações, o Sepultura entra em estúdio para regravar “Troops of Doom”, que a Roadrunner usaria para relançar o álbum Schizophrenia remixado. Ainda no mesmo ano, a Cogumelo relança Bestial Devastation com uma nova versão de “Troops of Doom”.

Arise

A banda chamou atenção por onde passou e seu nome despontou na mídia mundial. Nesta turnê encontraram uma de suas fontes de inspiração, Lemmy Kilmister e sua banda Motörhead, cruzaram o muro de Berlim ainda na época da guerra fria, e até conheceram o Metallica, uma banda muito forte na época. Foi gravado nesta época o primeiro videoclipe do Sepultura, “Inner Self”, que tal qual “Mass Hypnosis” e “Beneath the Remains”, tornou-se um clássico da banda. Em 1991, o Sepultura toca no Rock in Rio II, para 50 mil pessoas. Dois meses depois, a atual gravadora da banda lança Arise, que vende cerca de 160 mil cópias nas 8 primeiras semanas. Ao final da turnê de divulgação, o álbum já tinha vendido mais de 1.000.000 de cópias, e figurou a posição 119 no top 200 da Billboard. Como seu antecessor, também foi produzido por Scott Burns. É considerado pela maioria dos fãs de longa data o melhor álbum do grupo.

No mesmo ano, são lançados alguns singles, como “Arise”, “Under Siege (Regnum Irae)” e “Dead Embryonic Cells”. Logo após a apresentação no Rio a banda promoveu um show gratuito em São Paulo na praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, o show contou com aproximadamente 40 mil pessoas. Mas algumas pessoas confundiram o espírito de confraternização dos fãs, e um rapaz foi assassinado. Esta fatalidade criou um falso mito sobre o público da banda, que repercutiu por muitos anos negativamente fazendo com que muitos produtores de shows brasileiros temessem marcar shows com o grupo.

Repercussão no exterior

No exterior, por sua vez, a turnê do Arise foi longa e passou por lugares inéditos como Grécia e Japão. Na Austrália foi lançado o primeiro EP oficial da banda, o Third World Posse. Na Holanda estrearam em um festival internacional de grande repercussão, o “Dynamo Open Air”, para mais de 30 mil pessoas. E atraíram mais de 100 mil pessoas nas duas apresentações feitas em estádios quando estiveram na Indonésia. Lá também foram premiados com fitas cassetes de ouro pelas boas vendas.

Gravaram os clipes de “Arise” e “Dead Embryonic Cells”, e lançaram seu primeiro home-vídeo, “Under Siege”, que foi gravado em Barcelona, Espanha. Com todos estes acontecimentos ligados ao disco Arise, o Sepultura firmou seu nome mundo a fora. Em 1992 Third World Posse é lançado. O álbum tem três músicas ao vivo tiradas do vídeo Under Siege (Live in Barcelona), além de “Drug Me” de Jello Biafra e “Dead Embryonic Cells”, do disco Arise. Ainda em 1992, acontece o casamento de Max com a empresária Glória.

A essa altura, o Sepultura já era considerado uma das melhores bandas de Thrash Metal do mundo. Em 1993, o Sepultura lança o disco Chaos A.D., que já possuía influências tribais e já não tinha toda a violência de Arise, e menos ainda dos primeiros álbuns da banda. Ainda assim, percebia-se que a banda ainda se preocupava com a situação geopolítica mundial, pois pérolas como “Refuse/Resist” e “Territory” estão incrustadas neste álbum, além de “Manifest”, que denunciava o massacre da penintenciária do Carandiru, onde 111 detentos foram mortos. Mesmo não sendo tão violento quanto os antecessores, Chaos A.D. foi um sucesso, e até hoje, já vendeu mais de 1 milhão de cópias mundo afora.

O Sepultura optou por um lado musical nunca antes explorado, misturando seu som brutal com elementos de música popular, e com isto definiram a linha musical de vanguarda que se tornou sua marca registrada. O lançamento de Chaos A.D. aconteceu em um castelo medieval na Inglaterra e com a presença de boa parte da imprensa mundial. Nesta turnê a banda foi até Israel gravar o clipe da música “Territory”, também lançada como single. Este vídeo foi eleito o melhor videoclipe do ano pela MTV Brasil, que levou a banda à Los Angeles para receber o astronauta de prata. Outros clipes/singles tirados deste álbum foram “Refuse/Resist” e “Slave New World”, e o home-vídeo “Third World Chaos”. Este álbum que inclui um cover da canção “The Hunt”, do New Model Army. “Biotech Is Godzilla” foi escrita por Jello Biafra, além de uma faixa especial, onde os integrantes se acabam de rir e gritar, e mais uma versão de “Polícia”, dos Titãs, disponível apenas na versão brasileira do álbum. O single “Territory” também é lançado nesse mesmo ano. Ainda em 1993 nasce o primeiro filho de Glória e Max: Zyon.

Nesta turnê o Sepultura foi a primeira banda de metal da América Latina a se apresentar no tradicional festival Monsters of Rock, no Donington Park, Inglaterra, na frente de 50 mil pessoas, quantidade equalitária ao Rock in Rio II, onde o Sepultura também foi atração. E também a primeira banda do Brasil a tocar na Rússia. De volta ao Brasil, a banda foi convidada a tocar no festival Hollywood Rock só após um abaixo-assinado feito pelo fã clube oficial brasileiro. Isso devido ao boicote por parte dos organizadores do evento, amedrontados com o incidente em São Paulo anos atrás. Em 1994, o EP Refuse/Resist é lançado. O álbum é uma espécie de coletânea com músicas ao vivo, de estúdio, “Drug Me” (de Jello Biafra) e ainda uma música de nome “Inhuman Nature”, da banda Final Conflict. O single “Slave New World” é lançado.

Em 1994, Andreas se casa com Patrícia, e a banda começa a compor material para novo álbum e single. No ano seguinte, o segundo vídeo do Sepultura, o Third World Chaos é lançado, contendo alguns clipes da banda, trechos de entrevistas com a MTV brasileira, americana, europeia e japonesa. O vídeo contém um trecho de entrevista em que o entrevistador é Bruce Dickinson, quando ele tinha o seu programa de entrevistas na rede inglesa de televisão. Ainda em 1995, nasce Giulia Kisser, a primeira filha de Patrícia e Andreas; Igor se casa com Monika, e Igor Amadeus, segundo filho de Glória e Max, nasce. Em 1996, o compacto Roots Bloody Roots é lançado, contendo quatro faixas, “Roots Bloody Roots”, “Procreation of the Wicked” (um cover da banda black metal Celtic Frost), “Refuse/Resist” e “Territory” (ambas gravadas ao vivo em Minneapolis, Estados Unidos). Outros singles foram lançados, “Ratamahatta” e “Attitude”.

O álbum Roots (1996)

Mais tarde, no mesmo ano, sai Roots, um dos álbuns mais aguardados do ano. O disco mostrou um lado mais experimental da banda, com uma participação de Carlinhos Brown na canção Ratamahatta, e presença ao longo do disco de percussão, berimbau e várias batidas tribais. O disco contém ainda duas músicas gravadas conjuntamente com os índios xavantes Jasco e Itsari, no Mato Grosso. A música “Itsari” foi gravada na Aldeia Pimentel Barbosa no ano de 1995, às margens do Rio das Mortes no estado de Mato Grosso. Já o restante do álbum foram feitas em Malibu no estúdio Índigo Ranch, dotado de instrumentos de idade avançada, e fazendo da gravação a mais crua possível. Os clipes/singles foram “Roots Bloody Roots” gravado na cidade de Salvador, “Attitude” que teve fotos de tatuagens de fanáticos pelo Sepultura como capa, e contou com a participação especial da família Gracie no videoclipe. “Ratamahatta” foi um clipe diferente de todos os anteriores do Sepultura, feito todo em animação gráfica computadorizada.

A versão brasileira tem também “Procreation of the Wicked” do Celtic Frost e “Symptom of the Universe” do Black Sabbath, além de “Lookaway”, escrita por Jonathan Davis da banda Korn.

Em meados de 1996, a banda fica sabendo do assassinato de Dana Wells, filho de Gloria Cavalera. Max e Gloria vão para os Estados Unidos e o Sepultura toca em trio no Donnington 1996, com Andreas nos vocais. O grupo termina a turnê tocando no Ozzfest, após cancelar três semanas de shows dos Estados Unidos. De acordo com a seleção de Spence D. e Ed Thompson, do site IGN Music, o disco Roots[17], lançado pelo Sepultura em 1996, está na posição 23 dos 25 discos considerados os mais influentes do heavy metal. Encabeçando a lista está Master of Puppets, lançado pelo Metallica em 1986. Ainda foi lançado o disco duplo The Roots of Sepultura, no qual um dos discos conta boa parte da história musical da banda, e o segundo é o álbum Roots.

Saída de Max Cavalera

Finalmente, em dezembro de 1996, chega a notícia que mudaria completamente o rumo da banda: Max Cavalera deixaria a banda. Aconteceu quando os outros três integrantes, em reunião, decidem demitir Gloria Cavalera do posto de empresária da banda, alegando que esta dava apenas espaço para seu marido, Max, ao contrário de antigamente: quando o Sepultura aparecia, todos os quatro integrantes estavam na foto, e não apenas Max. Com a esposa fora da banda, Max se sente traído e resolve separar seu caminho do caminho do resto da banda.

A discussão é imensa. Andreas, Igor e Paulo tinham a convicção de que a empresária já não estava mais os representando do jeito que deveria e comunicaram sua decisão de não renovar seu contrato de trabalho. Havia a opção de que ela continuar a cuidar dos interesses de Max. Ele não aceitou a decisão dos companheiros e abandonou o Sepultura, achando estar sendo injustiçado. A partir de então as incertezas caíram sobre o Sepultura e o futuro era incerto.

Com o tempo a banda acostumou-se à nova situação imposta, e que não poderia parar o trabalho de uma vida toda dessa forma. E assim que puderam começaram a escrever seu próximo álbum, como um trio. Max formou sua própria banda, Soulfly. “Durante este um ano e meio, pensamos em tudo”, diz Andreas. “De fato, pensamos em dizer se foda a todo mundo, se foda a música, se fodam as bandas, a porra toda. Mas não tomamos nenhuma decisão durante o período mais turbulento, porque essas decisões geralmente se mostram erradas, mais tarde. Fizemos as coisas calmamente, e levamos o tempo necessário para pensar a respeito da situação toda”.

Ainda nesse ano, nasce a primeira filha de Igor e Monika, Joanna. Em 1997, sai outra coletânea, Blood-Rooted. A Roadrunner lança também uma coleção de músicas do Sepultura, com versões alternativas e demos, o B-Sides, além de relançar todos os discos do Sepultura até Arise, com os nomes de Gold CD re-issue, remasterizados e com faixas bônus. Sai ainda o vídeo We Who Are Not as Others.

A volta do Sepultura

Igor, Paulo e Andreas passaram a escrever de uma nova forma. Agora o baixo ganhou uma importância ainda maior, como base das músicas. Andreas assumiu os vocais, mas nunca havia cantado antes e não se sentiu à vontade no posto. Decidiram encontrar um novo vocalista para o Sepultura. As fitas de demonstração chegaram em grande quantidade aos escritórios da RoadRunner, e fizeram assim um processo de seleção. Um pequeno grupo de finalistas foi selecionado, e os candidatos receberam uma fita com músicas nas quais deveriam trabalhar, inclusive escrevendo letras, antes de encontrarem a banda para os testes.

Os testes finais aconteceram no Brasil, também foi levado em conta a integração e a afeição entre o grupo. Desde o começo da procura, a voz e a aparência de Derrick Green impressionou. Quando ele esteve no Brasil para os testes sentiu-se em casa, virou palmeirense, e se entendeu extremamente bem com a banda. A maior parte das músicas já estava pronta, esperando a gravação dos vocais, e a banda estava sob pressão para lançar o disco.

Então, em 1998, o Sepultura volta com um novo single, “Against”, do álbum de mesmo nome Against, mostrando todo o poder do novo vocalista Derrick Leon Green, apelidado de Predador. O single foi produzido por Howard Benson e mixado por Bill Kennedy. “Não sabíamos nem se devíamos usar o nome Sepultura, diz Igor Cavalera a respeito da evolução da banda. Decidimos que escreveríamos algumas músicas primeiro, e se não soasse como Sepultura, então pararíamos de usar o nome na mesma hora. Mas logo que tinhamos as músicas, vimos que tinhamos razão para manter o nome. E quanto mais tocamos, mais confortáveis nos sentimos. O único apoio que tivemos durante todo o tempo foi tocar música. Várias pessoas pensavam que o Sepultura era apenas Max, e que nós éramos apenas músicos por detrás dele”, diz Andreas. “Mas o Sepultura sempre foi todo mundo junto, e com a contribuição de todos para as ideias. Temos a mesma atitude, a mesma música, a mesma mensagem. A única coisa diferente é que Derrick está aqui, agora.”

Em maio, o Sepultura viajava para o Japão para gravar, junto com a banda de percussão japonesa Kodō, a música “Kamaitachi”, uma das faixas do novo álbum. Já em abril, começa a gravação das músicas restantes, já com a participação de Derrick. Em agosto, o Sepultura toca no show Barulho Contra a Fome, que serviu para angariar fundos e comida para os pobres, e o segundo single da banda, “Choke”, é agendado para ser lançado em novembro. Sobrevivendo ao período mais difícil de suas carreiras, o Sepultura retoma suas atividades e volta com seu novo álbum, Nation, que falará por eles. “É uma boa hora pra voltar à ideia do que o Sepultura é!”, conclui Igor. “Não é apenas eu, ou Andreas, ou Paulo, ou o Derrick, é a química de quatro pessoas tocando juntas.”

Dante XXI

Ver artigo principal: Dante XXI

O décimo álbum de estúdio do Sepultura, Dante XXI, foi lançado em 2006, baseado no livro “A Divina Comédia” de Dante Alighieri. A odisséia pelo inferno, purgatório e paraíso à qual se lançou o personagem Dante narrada no livro é refeita musicalmente pelo som pesado da banda, sendo lançado pela gravadora SPV Records. Dentro da discografia da banda, Dante XXI figura como seu terceiro álbum temático. Eles já haviam feito algo do gênero em Roots de 1996, inspirados pela cultura brasileira e africana, e depois em Nation de 2001, em que flertavam com uma nação utópica. Para o guitarrista Andreas Kisser, a escolha de um caminho para o disco acaba sendo necessária. “Você chega a um ponto de escrever por escrever, fica sem sentido”, diz.

A solução do tema partiu do vocalista Derrick Green, que puxou pela memória o estudo de A Divina Comédia nos tempos do colégio. Ideia acatada, todos se voltaram à obra, principalmente Kisser, que se aprofundou no assunto. Envolvidos em trilhas para cinema há tempos, tanto Kisser quanto o restante do Sepultura transferiram um pouco dessa experiência para o novo trabalho. “A ideia era fazer a trilha para o livro”, conceitua o baixista Paulo Xisto. Chamaram André Moraes, no qual já era recorrente nessas trilhas, para se encarregar da orquestração do álbum, cuidando dos arranjos mais elaborados, que requereram instrumentos nada usuais na sonoridade crua da banda, como celo e piano, estes utilizados para dar diferenciação às passagens do purgatório e do paraíso. “A sonoridade da parte do Inferno foi mais familiar, usamos elementos da banda, como bateria, baixo, guitarra”, explica Kisser.

O baterista Igor Cavalera aparece nos créditos, mas decidiu abandonar a banda antes do início da turnê. Em seu lugar, entrou Jean Dolabella. Segundo Kisser, a saída de Igor não foi tão traumática quanto a de Max, porque ele já vinha dividindo com os demais seu desejo de sair do Sepultura. “A gente estava esperando isso acontecer. Ele não estava demonstrando interesse em se dedicar à turnê”, completa Xisto.

Com esse álbum a banda fez uma turnê mundial por onde tocou pela primeira vez na Índia[18]. Esta turnê da banda, feita para a divulgação do álbum Dante XXI, passou por diversos países na Europa, América do Norte e América Latina, totalizando mais de 100 shows. Em 2007 o grupo foi atração em alguns festivais no Brasil, como Abril Pro Rock, em Recife, e Porão do Rock, em Brasília.

A-Lex

Ver artigo principal: A-Lex

Andreas disse em 2007 que a banda já estava planejando um novo álbum de estúdio para ser lançado em 2009, sendo o primeiro sem Igor Cavalera.[19] Como afirmou na sua página no MySpace, este seria um outro conceito de álbum, intitulado A-Lex, baseado na obra “A Laranja Mecânica”. O álbum foi gravado nos Estúdios Trama em São Paulo, com o produtor Stanley Soares.

A banda foi um dos convidados de destaque do Grammy Latino de 2008 em 13 de novembro. Eles cantaram um cover de “Garota de Ipanema” e uma nova canção chamada “We’ve Lost You” de seu álbum A-Lex.[20]

Kairos

Ver artigo principal: Kairos

Kairos é o 13º álbum do Sepultura. Foi produzido pela Nuclear Blast e pelo guitarrista Roy Z. Kairos possui um som mais pesado que seus antecessores e foi muito bem recebido pela crítica especializada. Chegou a ficar no top 100 de álguns países europeus, e vendeu mais de 2600 cópias nos EUA nas primeiras semanas de lançamento. O grupo francês Les Tambours du Bronx participou do álbum, na faixa “Structure Violence (Azzes)”.

Integrantes

Atuais

Derrick Green

Ver artigo principal: Derrick Green

Vocalista, nascido em Cleveland, no estado de Ohio, Derrick Green[21] canta desde os 16 anos, quando entrou na banda hardcore Outface. Ele e o guitarrista se mudaram para Nova York após seis anos juntos para formar a Overfiend. Quando o Sepultura anunciou que estavam procurando por um novo vocal, um dos produtores da Roadrunner enviou-lhes uma demo do Overfiend e pediu para darem uma olhada. “Nós enviamos pra ele uma fita de Choke e pedimos para colocar vocal nela, relembra Andreas. Nós gostamos pra caralho, então o convidamos para vir ao Brasil, porque ficaríamos aqui até o fim do ano passado. Então nos juntamos, e na mesma hora, sacamos que ele era o cara. Não apenas por causa das habilidades do Derrick, mas porque ele é como nós. Ele realmente acredita nas mesmas coisas, tem o clima certo, além do quê ele adora futebol.” Os outros membros do Sepultura aceitaram-no na banda, que apesar da adição desse elemento estrangeiro continua sendo totalmente brasileira.

Andreas Kisser

Ver artigo principal: Andreas Kisser

Guitarrista, Andreas Rudolf Kisser[22] é um paulista de São Bernardo do Campo. Casado com Patricia Perissinotto Kisser e três filhos: Giulia Kisser (1995), Yohan Kisser (1997) e Enzo Kisser (2005). Se interessou por música aos 10 anos, escutando os discos da mãe e do pai, como Beatles, Roberto Carlos e basicamente sertanejos como Tonico e Tinoco por parte de seu pai. Com o violão da avó, aprendeu os acordes principais através da MPB. Pela influência de um amigo mais velho, conheceu o Queen e o Kiss, o que revolucionou toda a sua maneira de encarar a música. Comprou sua primeira guitarra (Giannini- Supesonic) e um pedal de distorção. No começo de 1987, entrou para o Sepultura, se mudando para Belo Horizonte e começando uma carreira única na história da música brasileira. Junto com Max Cavalera, Igor Cavalera e Paulo Jr., viajaram pelos quatro cantos do mundo, divulgando um pouco mais a cultura brasileira através da música pesada. Andreas continua com o Sepultura, agora com Derrick Green nos vocais e também se lançou no mundo do cinema fazendo duas trilhas sonoras. Foi chamado para tocar com o Anthrax em alguns concertos, pois seu guitarrista Scott Ian estava acompanhando o nascimento de sua primeira filha.

Paulo Jr.

Ver artigo principal: Paulo Jr.

Baixista, Paulo Xisto Pinto Junior[23] nasceu em Belo Horizonte. Paulo Jr., como ficou conhecido, passou a se interessar pelo baixo logo cedo. Com apenas 15 anos acabou ingressando na sua primeira e atual banda, o Sepultura. Na época ele era amigo dos irmãos Max e Igor Cavalera que haviam criado a banda como uma brincadeira. Além deles a banda ainda contava com Jairo Guedez na guitarra. Segundo Paulo, o melhor show em que participou foi o primeiro fora do Brasil, outro foi em 1992 com o Black Sabbath na reunião da banda, o Rock in Rio, o Hollywood Rock. Com o Sepultura, Paulo gravou onze álbuns.

Eloy Casagrande

Ver artigo principal: Eloy Casagrande

Baterista, Eloy Casagrande[24] nascido em Santo André-SP, começou a tocar bateria aos 6 anos de idade, e antes dos 10 já participava em diversos programas de televisão, workshops e eventos, devido a sua notoriedade como baterista. Em 2005, foi vencedor do “Modern Drummer´s Undiscovered Drummer Contest 2005” na categoria até 18 anos, sendo o primeiro sul-americano a vencer o festival. Desde 2006 toca com a Banda Católica Iahweh. Em 2007 foi convidado a assumir o posto de baterista da banda solo do vocalista Andre Matos, realizando grandes turnês na divulgação do álbum Time to Be Free, e gravando, em 2009, o álbum Mentalize, que conta com participações suas nas composições. Posteriormente participou de bandas como Gloria Pelo Gloria em 2011 participou do Rock In Rio III e em 2012 gravou o quarto album da banda intitulado (Re)Nascido (2012) e AcllA. Com a saída de Jean Dolabella, em setembro de 2011, foi convidado para integrar o Sepultura.

Antigos

  • Wagner Lamounier – (vocal 1984-1985)
  • Jairo Guedez – (guitarra 1984-1986)
  • Max Cavalera – (somente guitarra 1984-1985, vocal e guitarra 1985-1997)
  • Igor Cavalera – (bateria 1984-2006)
  • Jean Dolabella – (bateria 2006-2011)

Integrantes da banda ao longo do tempo

Discografia

Álbuns, EPs, singles

  • Bestial Devastation (Split LP com Overdose, 1985)
  • Morbid Visions (Álbum, 1986) 3/5 estrelas[25]
  • Schizophrenia (Álbum, 1987) 4/5 estrelas[26]
  • Beneath the Remains (Álbum, 1989) 4.5/5 estrelas[27]
  • Arise (Álbum, 1991) 4.5/5 estrelas[28]
    • Arise (Single, 1991)
    • Dead Embryonic Cells (Single, 1991)
    • Under Siege (Regnum Irae) (Single, 1991)
    • Third World Posse (EP lançado apenas na Austrália, 1992)
  • Chaos A.D. (Álbum, 1993) 4.5/5 estrelas[29]
    • Territory (Single, 1993)
    • Refuse/Resist (Single, 1994)
    • Slave New World (Single, 1994)
  • Roots (Álbum, 1996) 4.5/5 estrelas[30]
    • The Roots of Sepultura (EP duplo, CD 1: ‘Roots’ / CD 2: Faixas raras, 1996)
    • Ratamahatta (Single, 1996)
    • Attitude (Single, 1996)
    • Roots Bloody Roots (Single, 1996)
    • Blood-Rooted (EP, 1997)
    • B-Sides (EP, 1997)
  • Against (Álbum, 1998) 3/5 estrelas[31]
    • Choke (Single, 1998)
    • Tribus (Single, 1999)
    • Against (Single, 1999)
  • Nation (Álbum, 2001) 3/5 estrelas[32]
    • Under a Pale Grey Sky (Ao Vivo, 2002) (O Sepultura não considera esse álbum um lançamento oficial)
    • Revolusongs (EP, 2002) 4/5 estrelas
  • Roorback (Álbum, 2003) 4/5 estrelas[33]
    • Live in São Paulo (Ao Vivo, 2005)
  • Dante XXI (Álbum, 2006) 3.5/5 estrelas[34]
  • The Best of Sepultura (Coletânea, 2006) (O Sepultura não considera esse álbum um lançamento oficial)
  • A-Lex (Álbum, 2009) 4/5 estrelas[35]
  • Kairos (Álbum, 2011)

Parcerias

  • A banda Overdose, que dividiu com o Sepultura um LP, no seu primeiro lançamento, Bestial Devastation.
  • Kelly Shaefer, da banda Atheist, John Tardy, da banda Obituary, Scott Latour e Francis Howard, da banda Incubus, fazem backing vocal na música Stronger Than Hate, do álbum Beneath the Remains. Kelly Shaefer também escreveu a letra dessa música.
  • A banda Titãs, na música Polícia, ao vivo no Hollywood Rock em 1994.
  • Mike Patton, vocalista da banda Faith No More, e Jonathan Davis, vocalista do Korn, na música Lookaway, do álbum Roots.
  • Carlinhos Brown, com vocal e percussão em diversas músicas do álbum Roots.
  • A tribo dos índios Xavantes, nas músicas Jasco e Itsári, do álbum Roots.
  • Jason Newsted, ex-baixista do Metallica, com letra e música em Hatred Aside, do álbum Against.
  • João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, na música Reza, do álbum Against.
  • Dr.Israel na música “Tribe to a Nation”, do álbum Nation.
  • Jello Biafra, ex-vocalista do Dead Kennedys, na música Politricks, do álbum Nation.
  • Jamey Jasta, vocalista do Hatebreed, na música Human Cause, do álbum Nation.
  • O rapper Sabotage na música Black Steel in the Hour of Chaos (cover do Public Enemy), no EP Revolusongs.
  • Jairo Guedez, ex-guitarrista da banda, nas músicas Troops of Doom e Necromancer, do CD/DVD ao vivo Live in São Paulo.
  • Alex Camargo, vocalista do Krisiun, na música Necromancer, do CD/DVD Live in São Paulo.
  • O rapper BNegão, na música Black Steel in the Hour of Chaos (cover do Public Enemy), do CD/DVD Live in São Paulo.
  • O Rappa, na música Ninguém Regula a América do disco Instinto Coletivo da mesma banda.
  • O cantor Zé Ramalho, na música A Dança das Borboletas, para a trilha sonora do filme Lisbela e o Prisioneiro. Também foi relacionada para este filme a música O Matador, ambas as canções são inéditas.
  • David Silveria, baterista da banda Korn na música Ratamahatta.
  • O grupo francês Les Tambours du Bronx, na faixa Structure Violence (Azzes), do álbum Kairos.

Sobre Josi Vice

Moro em Recife, Pernambuco, onde nasci a 11 de outubro de 1985. Sou latino americano pós- moderno, poeta, cínico, dark, emocional e cerebral, um caranguejo com cerébro pós- Chico, um Nietzscheano sem Nietzsche, com delírios de poeta intelectualóide. Escrevo poesia desde os 15 anos. Sou fissurado em Hentai, Slipknot e Rock´n´Roll e em Literatura, Pop ou qualquer música de boa qualidade. Também adoro navegar pela net e pesquisar na web. Amo ler revistas e artigos, principalmente se for de culura. Esse cara sou eu. Nome real: Josafá César da Silva, mas prefiro Josi Vice ou Joker Vice ou César Vice. Signo: Libra Bandas e cantores preferidos: Slipknot, Beatles, Sex Pistols, Marilyn Manson, Cazuza, Legião Urbna, Elvis Presley, Silver Chair, Echo & The Bunnymen, The Cult, Southern Death Cult, Depeche Mode Poetas Preferidos: Fernando Pessoa, Camões, Marcos Henrique, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Allen Ginsberg Escritores favoritos: Nietzche, Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarah Averbuck, Franz Kafka, Clarice Lispector e John Fante
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